11 de março de 2026
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Investimentos em ciência e tecnologia batem recorde e chegam a quase R$ 50 bilhões em três anos

Números foram apresentados pela ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, e representam quase o dobro do total aplicado entre 2019 e 2022. Ministra também falou sobre ações para promover inteligência artificial e inclusão de mais mulheres no setor

Os investimentos nas áreas científica e tecnológica do país bateram recorde. Desde janeiro de 2023, os recursos para fortalecer a ciência brasileira chegaram a R$ 49,3 bilhões, quase o dobro do total aplicado entre 2019 e 2022, quando foram investidos R$ 26,3 bilhões. Os investimentos fortalecem programas estratégicos, infraestrutura científica e a inovação tecnológica.

O valor investido pelo Governo do Brasil foi um dos temas abordados pela ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante o programa Bom Dia, Ministra desta quarta-feira (11/3), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

É muito investimento que está indo para as universidades, institutos de ciência e tecnologia, e é o que muda a vida das pessoas”, afirmou a ministra

“Vou dar um exemplo. Nós agora temos uma vacina 100% brasileira da Covid. Todos nós sabemos o que aconteceu no período anterior, que nós tivemos uma dependência enorme, mesmo tendo o Butantan e a Fiocruz, que são patrimônio do povo brasileiro na área de vacinas, nós ficamos muito dependentes dos IFAs, dos insumos farmacêuticos ativos, e de uma posição negacionista do governo anterior. Então isso tudo adiou a capacidade que a gente tem de produção de vacinas. Agora nós temos uma vacina 100% brasileira, que é financiada exatamente pelo nosso ministério na Universidade Federal de Minas Gerais, que é o Centro de Vacinas, que se chama Espintec. Então isso é uma grande vitória para a ciência brasileira, nós vamos nos tornar autônomos, assim como também na dengue. Nós temos agora uma vacina 100% brasileira de prevenir a dengue, que é um fenômeno brasileiro relevante, e a gente está se preparando para isso”, explicou

Do total de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), 64% foram destinados a iniciativas estratégicas como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos fortalecem a inovação e impulsionam uma indústria de base tecnológica, que gera empregos mais qualificados e melhor remunerados.

Luciana Santos ressaltou os benefícios econômicos e de soberania ao priorizar este tipo de investimento.

“Os investimentos servem para que a gente tenha autonomia no complexo industrial de saúde. A gente tem o segundo déficit da balança comercial (neste complexo). São 20 bilhões de dólares de déficit da balança comercial, e a gente está fazendo investimentos para ter equipamentos. É para isso que serve, para proteger o povo brasileiro de qualquer tipo de dependência que a gente tenha, ainda mais nesse mundo da geopolítica, a gente tem que tomar medidas para fortalecer”, afirmou

É para isso que serve a ciência e tecnologia. estou dando o exemplo de saúde, porque ele impacta mais diretamente na vida do povo brasileiro, mas isso vai para a área de defesa, isso vai para várias áreas de conhecimento para aquecer a nossa indústria, nós temos que ter indústria de microeletrônica, nós temos que ter indústria de semicondutores, e isso tudo é ciência e tecnologia”.

IA soberana

Durante o bate-papo com radialistas de várias regiões, a ministra também falou sobre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O plano prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028, com recursos de fontes como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e setor privado.

Dividido em cinco eixos (Infraestrutura e Desenvolvimento de IA; Difusão, Formação e Capacitação; IA para Melhoria dos Serviços Públicos; IA para Inovação Empresarial e Apoio ao Processo Regulatório e de Governança da IA), o PBIA tem como objetivo equipar o Brasil com infraestrutura tecnológica avançada com alta capacidade de processamento.

Vamos adquirir computadores de alto desempenho e vamos nos colocar entre as dez maiores nações com capacidade de computadores de alto desempenho, que vão poder treinar a inteligência artificial. E vamos fazer editais ainda neste primeiro semestre para possibilitar que muita gente das áreas de engenharia, de ciência da computação, possam fazer IA no Brasil. 60% dos nossos dados são armazenados fora do Brasil. Então nós precisamos que esses dados sejam armazenados aqui. Soberania nacional hoje é sinônimo de domínio tecnológico”.

“Vamos abrir o mercado para outras economias. Mas nós precisamos ter os nossos. E o papel da ciência de tecnologia é fazer os nossos. Nós temos um satélite nosso de telecomunicações que é militar e civil. Mas existe um plano da gente fazer o nosso satélite de comunicação, assim como existe o plano de a gente fazer o nosso GPS. Não podemos depender exclusivamente do GPS norte-americano. Nós temos que fazer o nosso. E nós estamos em curso com esses projetos estratégicos que dão autonomia. Nós estamos confiantes que nós vamos dar o salto que o Brasil merece. Nós teremos esses supercomputadores e vamos ter, portanto, a capacidade brasileira de armazenar e processar dados”, disse a ministra.

‘Ciência é feminina e queremos mais mulheres’

Durante o programa, Luciana Santos detalhou as ações do Governo do Brasil para fortalecer a participação de meninas e mulheres na ciência e tecnologia.

Entre os destaques da entrevista está o lançamento da Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação, iniciativa que reúne ações estruturantes para ampliar a inclusão, a permanência e a ascensão feminina nas carreiras científicas. A iniciativa tem como objetivo consolidar a equidade de gênero, raça, classe e diversidade como eixo estruturante das políticas de maneira transversal e permanente e foi lançada em março em alusão ao mês da mulher.

A ciência é feminina e nós queremos mais mulheres na ciência”, afirmou a ministra

“Nós já somos a maioria das universitárias, a maioria dos mestres e dos doutores. No entanto, nós ainda na ciência recebemos menos salários para funções iguais do que a média dos trabalhos que existem na sociedade. São 27% na média do país e na ciência, principalmente engenharia e ciências exatas, a gente vai aí para 36,7% a menos. É uma disparidade e a outra disparidade é garantir a permanência e ascensão das mulheres.

Além disso, a pasta conta com mecanismos voltados à inclusão racial na ciência, como a chamada pública Beatriz Nascimento, que oferece bolsas internacionais para pesquisadoras negras, quilombolas, indígenas e ciganas. Como parte dessa agenda, o MCTI também prepara o lançamento da 2ª edição do Edital Atlânticas – Beatriz Nascimento, nova chamada pública destinada exclusivamente ao apoio financeiro e ao fortalecimento das trajetórias acadêmicas de pesquisadoras deste público.

“São 90 bolsas que a gente conseguiu garantir que mulheres com esse perfil pudessem fazer pesquisas fora do país e se especializar”.

E assim a gente vai estimulando e fortalecendo a participação das mulheres e dando visibilidade. Porque às vezes a visibilidade é o que inspira as meninas a percorrerem essas carreiras científicas”, explicou Luciana Santos