11 de março de 2026
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PF prende seis policiais militares suspeitos de beneficiar o crime organizado

A ação faz parte da terceira fase “Operação Anomalia”, que já prendeu delegados e policiais civis nos últimos dias

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (11), seis policiais militares suspeitos de integrar um grupo que beneficiava criminosos violentos do estado. A ação faz parte da terceira fase “Operação Anomalia”, que busca cumprir sete mandados de prisão e outros sete de busca e apreensão. A investigação já deteve delegados e policiais civis nos dois últimos dias.

As buscas ocorrem nos bairros da Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste, e em Nova Iguaçu e Nilópolis, na Baixada Fluminense. Até o momento, apenas um dos alvos segue foragido.

Além das prisões, o Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou o imediato afastamento das funções públicas de todos os investigados, bem como o afastamento do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos. O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio da Corregedoria da PM.

Entenda o esquema 

Os elementos reunidos durante a investigação apontam que os policiais militares alvos da operação usavam a farda e a função pública para beneficiar o crime organizado. Segundo a apuração, o grupo atuava não apenas facilitando a logística de traficantes e milicianos, mas também protegendo criminosos e ajudando a esconder o dinheiro obtido com atividades ilegais.

A operação é resultado de investigações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II, que segue diretrizes do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635. A iniciativa busca reforçar a atuação da Polícia Federal na produção de inteligência para combater facções ligadas ao tráfico de drogas e armas, além de atingir o financiamento dessas organizações e interromper ligações com agentes públicos.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais. O material apreendido durante as buscas será submetido à análise, com vistas à identificação de possíveis outros agentes envolvidos no esquema.

Operação Anomalia I e II

Na primeira fase da operação, na última segunda (9), o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano foi preso por suspeita de participar de um grupo criminoso que atuava na negociação de vantagens indevidas para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. 

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na cidade do Rio, além de medidas cautelares diversas, como afastamento do exercício de função pública. Um dos mandados foi cumprido contra o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, que já está preso desde setembro do ano passado na operação que também deteve o ex-deputado estadual TH Joias. 

Na terça-feira (10), o delegado Marcos Henrique Oliveira Alves e outros dois policiais civis foram presos na segunda fase da operação. O grupo é investigado por usar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de dinheiro.

Na ação, cerca de 40 agentes federais cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O quarto alvo foi o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, que já estava detido.

O delegado era titular da 44ª DP (Inhaúma). Já os outros policiais foram identificados como Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus.