Réu diz que advogado executado diante da OAB foi morto por ter caso com mulher casada
Ministério Público sustenta que execução de Rodrigo Crespo está ligada a disputa por apostas esportivas e jogo do bicho
O réu Cezar Daniel Mondego de Souza, acusado de participar do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, afirmou durante julgamento no Tribunal do Júri que passou a seguir a vítima após ser contratado por um suposto marido traído. Segundo ele, Crespo estaria mantendo um relacionamento com uma mulher casada.
O depoimento foi dado na manhã desta sexta-feira (6), durante a retomada do julgamento do caso. Mondego declarou que foi procurado por um homem identificado apenas como Márcio, mas disse não saber o sobrenome nem possuir o telefone do suposto contratante.
Promotoria contesta versão apresentada
De acordo com o promotor Bruno Faria, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do Ministério Público do Rio de Janeiro, a versão apresentada pelo acusado não se sustenta.
Durante o julgamento, o promotor criticou a justificativa apresentada pelo réu. “Questionado ontem, ele disse que o nome do contratante era Márcio. O sobrenome: ‘não sei’. O telefone: ‘não tenho porque apaguei’. Não basta matar, ainda tem que macular a memória da vítima”, afirmou Faria diante dos jurados.
Disputa por apostas esportivas é apontada como motivação
Para o Ministério Público, o crime teria outra motivação: uma disputa de interesses ligada ao mercado ilegal de apostas e ao jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, Rodrigo Crespo planejava entrar no mercado de apostas esportivas e abrir um Sports Bar em Botafogo, na Zona Sul da cidade. A região, de acordo com o promotor, seria alvo de disputa entre grupos ligados ao jogo do bicho.
Até o início de 2023, a área seria controlada por Bernardo Bello, associado à família Garcia. Posteriormente, o território teria passado para a influência do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
“Ele queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, afirmou o promotor ao se referir aos acusados.
Sócios alertaram Crespo sobre riscos
Mensagens apresentadas durante o julgamento indicam que sócios do advogado chegaram a alertá-lo sobre os riscos de atuar nesse mercado no Rio de Janeiro.
Em uma das conversas exibidas aos jurados, um parceiro advertiu: “Qualquer jogo explorado no RJ tem dono.”
O promotor destacou que o caso envolve atividades ilegais que costumam recorrer à violência. “Aqui estamos tratando de comércio ilegal de cigarro e jogo do bicho. Eles matam quem tiver que ser”, afirmou.
Três acusados são julgados pelo crime
O Tribunal do Júri analisa a participação de três réus no assassinato:
- Leandro Machado da Silva, conhecido como Cara de Pedra, policial militar que, segundo a investigação, providenciou os veículos usados no crime;
- Cezar Daniel Mondego de Souza, o Russo, apontado como responsável por monitorar a rotina da vítima;
- Eduardo Sobreira de Moraes, acusado de dirigir o carro utilizado durante o acompanhamento de Crespo.
Os três se tornaram réus em abril de 2024, após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público. Na decisão, Leandro Machado foi afastado de suas funções na Polícia Militar.
Investigação aponta monitoramento prévio da vítima
De acordo com a Delegacia de Homicídios da Capital (DH), os suspeitos já monitoravam Rodrigo Crespo desde pelo menos 5 de outubro de 2023.
Durante as investigações, foram encontradas anotações com placas de veículos usados pelo advogado nos celulares de um dos investigados. Os registros teriam sido feitos no mesmo dia em que a vítima participou de uma festa em Ipanema.
Apesar do avanço das apurações, o autor dos disparos que atingiram o advogado pelas costas ainda não foi identificado pela polícia.
Após os debates entre acusação e defesa, caberá aos sete jurados decidir se os réus são culpados ou inocentes pela morte do advogado.

