27 de fevereiro de 2026
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Murais celebram cultura Kaingang em Gramado com investimento do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul

Projeto financiado pela Lei Paulo Gustavo cria três obras de arte sobre os povos originários. Ação inclui recursos de acessibilidade e atividades educativas para a comunidade

cidade de Gramado (RS) ganhou três murais permanentes que celebram a cultura e a história do povo indígena Kaingang. O artista plástico Alessandro Müller pintou as obras na parede do Arquivo Público João Leopoldo Lied, na Vila Joaquina. A ação cultural é resultado direto do investimento do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul.

O projeto Muralismo e os povos originários: do esquecimento à inclusão recebeu R$ 80 mil por meio da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195 de 2022). A LPG viabilizou o maior investimento direto no setor cultural da história do Brasil. No total, foram repassados R$ 3,8 bilhões para a execução de ações e projetos culturais em todo o território nacional.

A coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, Mariana Martinez, destaca a importância desse apoio. Segundo ela, a lei vai além do repasse de dinheiro, pois atuou na promoção de direitos dos cidadãos.

“Cultura é política pública. E, quando valorizamos a contribuição dos povos indígenas para a cultura gaúcha, estamos valorizando quem sustenta a diversidade cultural desse país há séculos”, declarou Mariana.

Arte e memória na rua

Os três murais representam a filosofia indígena de que a vida é um ciclo contínuo: começo, meio e começo. As pinturas mostram símbolos importantes da região, como a gralha-azul e a semente da árvore araucária. O desenho também mostra mãos que cuidam de uma muda de planta, o que significa a transmissão de saberes entre as gerações.

Gramado é uma cidade conhecida por homenagear os imigrantes europeus, como é o caso da Praça das Etnias. No entanto, o município ainda não tinha uma grande obra pública para lembrar os povos originários. Os novos murais preenchem esse espaço na memória da cidade, reconhecendo a narrativa indígena como parte essencial no território.

O artista Alessandro Müller explica o propósito do trabalho. “O papel do artista também é o de abrir espaço para temas fundamentais da nossa história e da nossa formação como cidadãos. A arte comunica e, quando ela está na rua, no espaço público, ela se torna acessível a todos. Ela encontra as pessoas no caminho e as convida à reflexão”.

Acessibilidade

O projeto garante que todas as pessoas possam aproveitar a arte. Cada mural tem QRCode. Ao usar o celular para ler o código, o visitante cego ou com baixa visão escuta uma descrição detalhada das imagens. Uma equipe especialista em acessibilidade criou esse recurso.

Além de entregar os murais, o projeto ofereceu atividades gratuitas para a comunidade. As ações incluíram oficinas de grafite em escolas públicas, contação de histórias Kaingang para crianças, cursos sobre patrimônio e a exibição de um documentário sobre os povos originários.

A cerimônia oficial para entregar os murais de forma definitiva para a cidade acontecerá no mês de março.