Além de Lula no camarote de Paes, políticos dão o tom dentro e fora da Sapucaí durante primeira noite de desfiles; confira
Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no camarote do prefeito Eduardo Paes, a primeira noite de desfiles no Sambódromo foi marcada pela forte presença de autoridades e articulações políticas dentro e fora da Marquês de Sapucaí. Entre homenagens, pré-candidaturas, patrocínios milionários e orientações jurídicas para evitar possíveis desgastes eleitorais, o carnaval carioca virou vitrine de movimentos e alianças que extrapolaram os sons dos surdos e caixas das baterias que cruzaram a Passarela do Samba. Veja a seguir o que se sabe dos políticos no samba:
Lula abriu (e quase fechou) a pista
Lula passou brevemente pela pista da Sapucaí, durante um desfile que se tornou alvo de representações judiciais sob alegação de propaganda eleitoral antecipada. Homenageado pela Acadêmicos de Niterói, que contou sua trajetória desde a infância até a Presidência, Lula desceu à Avenida por alguns minutos e interagiu com componentes da escola quando ela passava pelo segundo recuo de bateria.
Depois, ele voltou ao camarote do prefeito do Rio, Eduardo Paes, de onde aplaudiu e reverenciou a agremiação. O presidente foi embora às 4h53 desta segunda-feira, após acompanhar os quatro desfiles.
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O time do governo escalado para a festança foi: Anielle Franco (Igualdade Racial); Alexandre Padilha (Saúde); Alexandre Silveira (Minas e Energia); Esther Dweck (Gestão); Camilo Santana (Educação); Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais); Margareth Menezes (Cultura); e o vice-presidente Geraldo Alckmin, que é também ministro da Indústria e Comércio.
Por orientação da Advocacia-Geral da União (AGU), as autoridades não desfilaram e evitaram dar declarações sobre a homenagem, em uma tentativa de evitar problemas na Justiça Eleitoral.
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A primeira-dama, Janja da Silva, que sairia no último carro, foi substituída de última hora. Ela chegou ao camarote ocupado por Lula depois da comitiva presidencial, quando a escola já tinha iniciado o desfile. Não houve explicação oficial para a mudança de planos. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, foi mais um que não desfilou na Niterói. Ele preferiu ficar só na Estação Primeira de Mangueira, sua escola, seguindo uma orientação do Palácio do Planalto.
O desfile correu sob preocupação de descumprimento da legislação eleitoral, que prevê punições para eventos que façam propaganda de candidatos, em especial com recursos públicos. A Acadêmicos de Niterói recebeu patrocínio das prefeituras do Rio e de Niterói, do governo estadual e da própria Embratur, agência do governo federal. Os repasses são feitos igualmente para todas as escolas.
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José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e nome próximo ao presidente Lula, firmou posição no parapeito do camarote e acompanhou atento ao desfile da Acadêmicos de Niterói. Outro nome histórico, o hoje presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também estava lá. Além deles, figuras como os deputados federais Tarcísio Motta e Henrique Vieira (ambos do PSOL-RJ) também marcaram presença, encerrando uma tradição histórica do partido de recusar convites para a festa, conforme antecipado pelo colunista Ancelmo Gois.
E o som subiu no camarote de Castro…
Durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, o governador do Rio, Cláudio Castro, mandou aumentar o som de seu camarote. Normalmente, a música é desligada na passagem das escolas. Mas, desta vez, ficou ligada o tempo inteiro enquanto a azul e branca passava.
Eduardo Leite não desfilou
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), acompanhou os desfiles do Grupo Especial dos camarotes e desceu para a pista para o esquenta da Portela, mas não desfilou com a escola. Segundo integrantes da agremiação, ele foi convidado com antecedência, mas optou por não atravessar a Sapucaí. Questionado se a opção teria relação com a polêmica relacionada ao financiamento do Estado para a escola, que recuou do aporte após repercussão negativa, ele disse que mobilizou outras fontes de apoio.
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— O estado está honrado com a homenagem, mas não sou um grande passista. Para preservar a escola, a gente acompanha batendo palma — brincou, negando ter relação com críticas sobre verbas para o carnaval: — A gente procurou mobilizar apoiadores, e estamos felizes. A escola está dando destaque para uma história que merece ser contada.
Perto, mesmo longe
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e o governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), esperados na Sapucaí no desfile da Mangueira, optaram por assistir ao desfile no Amapá. Os dois acompanharam a escola, que este ano homenageia o estado com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra”, em um telão montado na Praça da Bandeira, na cidade de Macapá, capital do estado.
Uma articulação iniciada por Alcolumbre levou a Mangueira a receber um dos maiores patrocínios do estado do Amapá neste ano. A gestão do governador Clécio Luís injetou cerca de R$ 10 milhões para apoiar o enredo. O valor corresponde ao terceiro maior termo de fomento — aporte para entidades sem fins lucrativos — firmado pela gestão Clécio em 2025.
Pré-candidato na Imperatriz
Pré-candidato a deputado estadual, João Drumond — que tem compartilhado registros ao lado do deputado federal Doutor Luizinho (PP), que tenta se cacifar à presidência da Câmara após a próxima eleição, a quem chama de “irmão” — é ainda o responsável por discursar antes de ensaios e desfiles da Imperatriz. E o neto do contraventor Luizinho Drummond não ficou de fora deste púlpito em ano eleitoral. Foi dele uma das palavras de incentivo para a agremiação de Ramos.

