Conheça os enredos das quatro escolas que abrem a maratona do Grupo Especial
Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira são as atrações do domingo de Carnaval, na Sapucaí
Os desfiles do Grupo Especial começam na noite deste domingo (15), na Marquês de Sapucaí. Pelo segundo ano, quatro escolas vão se apresentar por dia, a partir das 22h, começando pela Acadêmicos de Niterói, seguida de Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Pelo regulamento oficial, o tempo para a exibição de cada agremiação será de, no mínimo, 70 minutos e, no máximo, 80 minutos.
Acadêmicos de Niterói
Ficha técnica
Enredo: Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil
Presidente: Wallace Palhares
Carnavalesco: Tiago Martins
Intérprete: Emerson Dias
Mestre de bateria: Branco
Rainha de Bateria: Vanessa Rangeli
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Emanuel Lima e Tainara Mathias
Comissão de Frente: Marlon Cruz e Handerson Big
Fazendo sua estreia no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói entra na Avenida para defender a permanência na elite do Carnaval, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A agremiação da Cidade Sorriso vai retratar toda a trajetória do presidente da República, desde o nascimento e infância em Pernambuco, a vida como operário e sindicalista em São Paulo, até chegar aos três mandatos à frente do País. O tema, porém, tem gerado polêmica nas redes sociais e no Congresso. Parlamentares de direita consideram que o samba-enredo pode ser considerado propaganda eleitoral antecipada.
“Nosso desfile começa contando sua vida em Garanhaus com as lendas que assombravam a família. Depois, dona Lindu [mãe de Lula] parte para São Paulo em um pau de arara por 13 noites e 13 dias. Nosso terceiro setor conta a história de Lula em São Paulo, onde foi engraxate, sindicalista, operário até se tornar presidente. E encerramos o nosso desfile nas cores do Brasil, para ressaltar que o verde, o amarelo, o azul e o branco não representam um partido e sim um país”, explica o carnavalesco Tiago Martins.
Imperatriz Leopoldinense
Ficha técnica
Enredo: Camaleônico
Presidente: Cátia Drumond
Carnavalesco: Leandro Vieira
Intérprete: Pitty de Menezes
Mestre de bateria: Lolo
Rainha de Bateria: Iza
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro
Comissão de Frente: Patrick Carvalho
A Imperatriz Leopoldinense passa pela Sapucaí com muitas faces, peles e desafiando a normatividade. O enredo “Camaleônico” celebra o legado de Ney Matogrosso e como ele fez do próprio corpo um manifesto poético, recusando rótulos, enfrentando a Ditadura Militar, sendo homem, bicho, bandido e tantos tipos mais…
O carnavalesco Leandro Vieira revela que as alas e alegorias serão interpretações artísticas de personagens vividos por Ney. “São muitas referências desse personagem que não aceitou o enquadramento único e fez disso o manifesto político. Estamos falando de um artista que explode nacionalmente dentro de um universo político da Ditadura, em que a normatividade é quase como uma imposição. Nesse ambiente, apresentar-se múltiplo, não hegemônico, vestir-se de maneira não normativa, incorporar a androginia como elemento estético, isso é muito transgressor. Essas imagens estão traduzidas nas peles de Ney Matogrosso que os componentes da Imperatriz passam a incorporar para apresentar o enredo.”
Ney Matogrosso, que chegou a participar de um ensaio de rua, está confirmado em uma das alegorias. Leandro Vieira assina o figurino que será usado por ele. A peça é cravejada por mais de 40 mil cristais verdes envoltos ao corpo do cantor e ainda traz moedas banhadas a ouro, além de cerca de 75 mil canutilhos, aplicados em franjas e bordados que prometem acompanhar, em movimento, cada gesto performático.
Portela
Ficha técnica
Enredo: O mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande
Presidente: Junior Escafura
Carnavalesco: André Rodrigues
Intérprete: Zé Paulo Sierra
Mestre de bateria: Vitinho
Rainha de Bateria: Bianca Monteiro
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea
Comissão de Frente: Cláudia Mota e Edifranc Alves
Penúltima a desfilar, a Portela cruza a Passarela com o enredo “O mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. A Majestade do Samba exalta a religiosidade, cultura e resistência da população negra no Rio Grande do Sul, por meio da narrativa fantástica de encontro do personagem folclórico Negrinho do Pastoreio com o Orixá Bará, do Batuque gaúcho, que leva à história do Príncipe Custódio, africano do Benin que vem ao Brasil, se instala no Rio Grande do Sul e passa a ser reconhecido como curandeiro e feiticeiro.
“A partir desse lugar de uma pessoa importante e influente, ele organiza a vida social da negritude do Rio Grande do Sul e, a partir dessa organização, nós vamos ter a criação de uma das principais religiões afrodescendentes do Brasil, que é o Batuque. A partir do Batuque, nós vamos falar também sobre outras organizações, outros associativismos que vão nascer para resistência e manutenção de vida da população afro-gaúcha (…) O Príncipe Custódio, o Negrinho do Pastoreio, trazem esse Rio Grande do Sul negro, que nunca foi falado, mas principalmente reconstroem a negritude de um país inteiro”, pontua o carnavalesco André Rodrigues.
O carnavalesco ainda destaca quais alegorias serão essenciais para contar a história. “Eu acho que o enredo da Portela se propõe a uma narrativa que tem início, meio e início. Então, olha o abre-alas, olha o carro do mercado, que é o carro número 3, e olha o último, que é o carro número 5. Esses três são fundamentais para ideia da narrativa. A gente vai ter que entender o que é início, o que é fim, porque eu acho que dentro da história que a Portela está contando, a gente tem sempre possibilidade de realmente refazer a nossa história. Acho que o último carro da Portela refaz a história portelense e dos negrinhos do Brasil.”
Estação Primeira de Mangueira
Ficha técnica
Enredo: Mestre Sacaca do encanto tucuju – O guardião da Amazônia Negra
Presidente: Guanayra Firmino
Carnavalesco: Sidnei França
Intérprete: Dowglas Diniz
Mestres de bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão
Rainha de Bateria: Evelyn Bastos
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Olivério e Cintya Santos
Comissão de Frente: Karina Dias e Lucas Maciel
Fechando a primeira noite, a Estação Primeira de Mangueira vai enaltecer as tradições afro-indígenas do Norte brasileiro por meio de um dos seus mais célebres personagens, o curandeiro, folião e defensor dos povos da floresta, mestre Sacaca. A Verde e Rosa celebra, ainda, a identidade do povo Tucuju, indígenas originários da foz do Rio Oiapoque, no Amapá. A agremiação também convida o público a beber da sabedoria ancestral do homenageado, passeando pela Amazônia Negra.
“Ele mergulhou nos rios, se embrenhou nas matas, aprendeu com os negros e os indígenas, por isso o enredo é afro-indígena. O mestre Sacaca carrega essa herança muito ligada à ideia de cura, proteção através de garrafadas, chás, unguentos e infusões”, aponta o carnavalesco Sidnei França. “Cada momento do desfile da Mangueira mostra o Sacaca encantado pela própria natureza e pela própria identidade Tucuju. Ele vai nos apresentando cada momento dessa saga que ele próprio nos deixou”. O enredo foi dividido em cinco setores e cada um representa um encanto.
Segundo dia
Nesta segunda-feira (16), mais quatro escolas passam pelo Sambódromo para a segunda noite de desfiles. A partir das 22h, entram na Avenida, respectivamente, Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Unidos da Tijuca.

