13 de fevereiro de 2026
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‘Embalado’ por projeto de nova sede, Bola Preta chega ao 107º desfile apostando na força da tradição

Instituição carnavalesca mais antiga em atividade no Rio, o Cordão da Bola Preta espera arrastar mais de um milhão de foliões pelas ruas do Centro neste sábado (14). O bloco chega ao seu 107º desfile com o tema “Bola Preta, DNA do Carnaval”, que une a essência vibrante da festa à história do Carnaval tradicional. O desfile tem início às 9h, na Rua Primeiro de Março, e segue pela Avenida Presidente Antônio Carlos, ocupando diversas ruas e praças da região central.

No último dia de 2025, o Cordão da Bola Preta completou 107 anos. Fundado em 31 de dezembro de 1918, o bloco segue levando milhares de pessoas para as ruas do Centro do Rio todos os anos. “O Cordão da Bola Preta é a instituição de Carnaval mais antiga em atividade no Rio e, por isso, precisamos honrar essa história. Comemorar mais um aniversário do Cordão é a certeza de que a cultura vive e sobrevive diante de tantos desafios. A cultura jamais será vencida”, afirma Pedro Ernesto Marinho, presidente do bloco.

Neste ano, a comemoração será em dose dupla, já que o Centro Cultural do bloco, com sede na Lapa, receberá R$ 8,2 milhões para realizar obras que vão recuperar as estruturas do complexo, que se encontravam em estado de degradação. “É um momento de extrema emoção e felicidade. Finalmente, com essa obra, nós vamos implementar a história do Carnaval do Bola Preta”, comemorou o presidente do bloco durante a cerimônia que oficializou o repasse da verba, no último dia 6.

Tradição no Rio

A trajetória do Bola Preta está intimamente ligada à história do Carnaval brasileiro, em especial ao Carnaval de rua. Ao longo de mais de um século, resistiu a duas pandemias, duas guerras mundiais, mudanças de regime e períodos de censura. Embora a pandemia de Covid-19 tenha impedido os desfiles por dois anos, o bloco encontrou formas de manter viva a tradição.

O Cordão também é conhecido por ter sido palco do lançamento de centenas de marchas e sambas hoje presentes no cancioneiro nacional, além de revelar ou receber artistas como Pixinguinha, Mário Lago, Emilinha Borba, Jamelão, Ataulfo Alves, Braguinha, Jorge Goulart, Gilberto Alves, Alcione, Neguinho da Beija-Flor e João Roberto Kelly, embaixador do Bola Preta e último compositor de Carnaval da chamada Era de Ouro ainda vivo.

A instituição conta ainda com uma banda formada por associados, músicos militares e frequentadores do clube, mantendo fidelidade à tradição musical.

Gilson Francisco de Paula frequenta o bloco desde 1978 e, para ele, o Bola é um ícone da cidade. “Para mim, é a verdadeira essência do carnaval da nossa cidade. Respeitado por todas as agremiações esportivas, pelos demais blocos e escolas de samba, por religiões diversas e pelo povo da cidade, em razão de sua trajetória e tradição na preservação do espírito carioca de curtir o carnaval. Enfim, Bola é o Bola, todo o resto é marola”, afirma.

Dora Mesquita, também foliã do Bola, demonstra uma relação quase familiar com o bloco. “O Bola Preta, para mim, é a continuação da minha casa. Eu me sinto muito feliz lá. Por isso digo: ‘Vem viver no Bola’. Só quem vive o Bola sabe o quanto o Bola é bom. Eu frequento desde 1980. Era a época da Coreia, aquela época boa, maravilhosa, do Baile do Sarongue. As boates de quarta-feira, o baile social dos sábados… Quem é contaminado pelo bichinho do Bola não esquece. E quem é contaminado é feliz”, diz.

Aumento expressivo do público

No ano 2000, o Bola Preta reunia cerca de 10 mil pessoas. A partir de 2011, o público estimado passou para cerca de 2 milhões de foliões, atingindo o ápice em 2013, com aproximadamente 2,5 milhões. Já em 2023, no retorno às ruas após a pandemia, o bloco levou cerca de 1 milhão de pessoas ao Centro.

Conheça a Corte Real

Com muita espontaneidade e alegria, o Bola Preta coloca o bloco na rua com toda a sua Corte Real no sábado de Carnaval: Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Paolla Oliveira (rainha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas), que seguem à frente do Cordão.

Este ano, a corte ganha reforço com a estreia das novas musas: Lú Bandeira, Flávia Jooris e Andrea Martins, que se juntam ao time com Ju Knust, Thai Rodrigues, Taissa Marins e Luara Bombom, além do muso Amauri Junior. A escalação conta, ainda, no comando da Banda do Cordão da Bola Preta, com o maestro Altamiro Gonçalves.

Pelo terceiro ano consecutivo, repetindo a parceria de sucesso com a Liga Amigos do Zé Pereira, organização da qual o Bola Preta é padrinho, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio, será feita a medição das horas de emissão de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos para compensação de carbono.

 

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