Indústria encerra 2025 praticamente estagnada e sob o peso dos juros elevados
A queda de 1,2% na produção da indústria nacional, verificada em dezembro de 2025 se comparada ao mês anterior, ratifica a fragilidade do setor, de acordo com a Firjan. A queda mensal contribuiu para um quadro praticamente estável da atividade industrial, com crescimento de apenas 0,6% no acumulado do ano.
A Firjan destaca que, não fosse a alta de 4,9% da indústria extrativa, produtora de commodities e voltada majoritariamente para o setor externo, o resultado seria ainda pior, uma vez que a indústria de transformação registrou recuo de 0,2% no ano passado.
Mais do que um número isolado, o dado reflete um ano em que o fôlego da produção foi exaurido pela manutenção dos juros em 15%, patamar que não apenas travou novos investimentos, como asfixiou o caixa das empresas através do encarecimento do capital de giro, drenando recursos vitais para a operação das indústrias, ressalta a federação.
O reflexo disso é nítido na economia brasileira em que o setor produtivo inicia 2026 sob sinal de alerta. A percepção de insegurança entre os empresários industriais, alimentada pela incerteza fiscal e pela volatilidade do cenário internacional, tem inibido a retomada de projetos e reforçado uma postura de cautela. Para a Firjan, a superação desse cenário de baixo dinamismo exige o enfrentamento estrutural da rigidez do orçamento público, condição essencial para viabilizar uma redução sustentável dos juros. A federação defende que um Estado mais eficiente é o caminho para destravar investimentos e elevar a competitividade da indústria nacional.

