3 de fevereiro de 2026
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Rio tem nova paralisação de médicos e enfermeiros da rede municipal de saúde

Como em janeiro, profissionais cobram reajuste salarial e pagamento de gratificações; médicos param por nove dias — até o dia 11 — e enfermeiros, por dois. Audiência no TRT suspendeu demissões e agendou nova reunião para a próxima semana

Médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde do Rio iniciaram, nesta segunda-feira (2), uma paralisação parcial nas unidades da rede municipal. O movimento começou com um protesto em frente ao Centro Carioca do Olho, em Benfica, na Zona Norte, e reúne profissionais de Clínicas da Família de diferentes regiões da cidade.

A paralisação cobra o cumprimento de acordos firmados com a Prefeitura do Rio, reajuste salarial e o pagamento de gratificações previstas em contrato. Segundo os sindicatos, a mobilização ocorre em meio a uma crise na Atenção Primária, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com as entidades sindicais, os enfermeiros iniciaram uma paralisação de dois dias, com manutenção de 70% do efetivo em atividade. Já os médicos vão interromper as atividades por nove dias, até 11 de fevereiro, mantendo 50% dos profissionais em serviço. Os sindicatos ressaltaram que os percentuais mínimos para a continuidade dos atendimentos seguem mantidos e que a paralisação não será estendida até o carnaval.

Durante o ato, houve retenção parcial do tráfego na Rua General Gustavo Cordeiro de Farias. Profissionais relataram redução no movimento das unidades ao longo do dia e apoio de usuários do sistema às reivindicações.

Audiência no TRT discute greve e pagamentos

Também nesta segunda-feira, foi realizada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), reunindo representantes dos sindicatos, da Prefeitura do Rio, do Ministério Público do Trabalho e de organizações sociais (OSs) que administram unidades de saúde.

Na audiência, os sindicatos informaram que médicos estão sem reajuste salarial desde 2019 e que enfermeiros não recebem recomposição há cerca de nove anos. Representantes da categoria também alegaram dificuldades de negociação, atraso no pagamento da gratificação conhecida como “Variável 3” e denunciaram demissões de trabalhadores após o anúncio da paralisação.

A prefeitura argumentou que, por restrições orçamentárias e pelo modelo de gestão, a negociação salarial deve ser feita diretamente com as Organizações Sociais. As OSs, por sua vez, alegaram depender dos repasses contratuais do município para conceder aumentos.

Nova reunião agendada para semana que vem

Diante do impasse, ficou agendada uma nova reunião para o dia 10 de fevereiro, na sede da Prefeitura, para discutir especificamente o pagamento das gratificações. Ficou acordado que, até lá, não haverá demissões de participantes do movimento nem desconto dos dias parados. O TRT reforçou ainda que a greve é um direito constitucional, inclusive em serviços essenciais, e que os trabalhadores não podem sofrer punições.

Paralisação recente de enfermeiros e médicos

Esta não é a primeira paralisação da categoria neste ano. No último dia 22, médicos e enfermeiros já haviam suspendido parcialmente as atividades nas Clínicas da Família, alegando sobrecarga de trabalho, falta de insumos, insegurança nas unidades e ausência de reajuste salarial.

Os profissionais fizeram reivindicações semelhantes à paralisação desta vez, incluindo maior valorização profissional, reajuste salarial, além do cumprimento de acordos firmados com a SMS. A categoria chegou a relatar alto índice de adoecimento mental, casos de burnout, elevada rotatividade nas equipes e dificuldades para garantir o tempo adequado de atendimento diante do volume de pacientes.

Na ocasião, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que a discussão sobre reajuste e melhores condições de trabalho é um direito legítimo, mas criticou a paralisação e ressaltou o impacto nos serviços essenciais. A pasta chegou a anunciar ainda que adotaria medidas judiciais contra as paralisações e afirmou que, enquanto persistirem ações que comprometam a prestação dos serviços, não haverá avanço nos processos de negociação.