Governo do Brasil defende Michelle Bachelet para ocupar a Secretaria-Geral da ONU
Em comunicado conjunto, Brasil, México e Chile apresentam a candidatura da ex-presidenta do Chile para suceder Antonio Guterres no principal cargo da Organização das Nações Unidas. Este é o primeiro processo eleitoral na história da ONU
Nesta segunda-feira, o Governo do Brasil emitiu, junto com México e Chile, comunicado em que defende a candidatura de Michele Bachelet, ex-presidenta do Chile, ao cargo de secretária-geral da ONU.
Segundo o site da Organização das Nações Unidas, esta é a primeira eleição para o cargo, em 80 anos de história. Se eleita, Bachelet vai suceder Antonio Guterres e ser a primeira mulher a ocupar a Secretaria-Geral da ONU.
Leia a nota conjunta:
“Os governos de Brasil, Chile e México formalizaram a defesa do nome de Michele Bachelet para assumir o cargo de secretária-geral da junto à Organização das Nações Unidas.
Em 2 de fevereiro de 2026, os governos do Chile, do Brasil e do México apresentaram formalmente às Nações Unidas a candidatura da Sra. Michelle Bachelet Jeria ao cargo de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas. A ex-Presidenta do Chile exerceu funções de alto nível no sistema multilateral, como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Diretora Executiva da ONU Mulheres.
Essa candidatura reflete a vontade compartilhada de nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais. A ampla experiência da ex-Presidenta Bachelet na condução de processos políticos complexos, sua reconhecida capacidade de facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais das Nações Unidas constituem uma contribuição substantiva para avançar em direção a uma Organização mais eficaz, representativa e orientada para o bem-estar das pessoas.
A postulação de Michelle Bachelet representa uma oportunidade de dotar a ONU de uma liderança com comprovada experiência, legitimidade internacional e vocação para serviço público. Subscrevemos essa candidatura com a convicção de que sua liderança contribuirá para o pleno cumprimento dos propósitos e princípios consagrados na Carta das Nações Unidas.
Em um cenário internacional de grande complexidade, a Organização das Nações Unidas continua sendo o principal espaço para o diálogo e a construção de soluções coletivas em matéria de paz e segurança internacional, desenvolvimento sustentável, promoção e proteção dos direitos humanos e ação para reverter a mudança do clima. Reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo como pilar fundamental para uma governança global baseada na cooperação internacional e no respeito à autodeterminação dos povos.”
Como se dará a eleição
As Nações Unidas deram início formal ao processo de eleição do próximo secretário-geral ou da primeira secretária-geral em 80 anos de história da organização.
O atual líder da ONU, António Guterres, deve deixar o cargo em 31 de dezembro de 2026. Segundo as recomendações para o processo de eleição, o Conselho de Segurança deve escolher um nome em julho do próximo ano.
As regras constam de uma carta conjunta da presidente da Assembleia Geral e do presidente do Conselho convidando os Estados-membros a indicar candidatos. O nome eleito assume o posto em 1º de janeiro de 2027.
A publicação do órgão deliberativo, com 193 membros, e do Conselho, integrando 15 membros, abre a apresentação de indicações, no que marca o início da corrida para substituir Guterres.
Entre os nomes que já declararam a pré-candidatura estão a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, e o diplomata argentino Rafael Grossi.
Grynspan e Grossi trabalham no sistema das Nações Unidas atualmente. Ela lidera a Agência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad. Ele é o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea.
Bachelet foi diretora-executiva da ONU Mulheres e presidente do Chile por duas vezes.

