PMs aposentados são presos por fazer segurança de Rogério de Andrade
Contraventor, também alvo de mandado de prisão, está detido na Penitenciária Federal de Campo Grande desde novembro de 2024
Dois policiais militares aposentados foram presos durante uma operação, realizada na manhã desta quinta-feira (29), por acusação de integrar a equipe de segurança do contraventor Rogério de Andrade. O bicheiro, também alvo de mandado de prisão, está detido no presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024, por chefiar uma quadrilha do jogo do bicho e por acusação de mandar matar o rival, Fernando Iggnácio.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), os PMs Marcos Antônio de Oliveira Machado, conhecido como Machado, e Carlos André Carneiro de Souza, o Carneiro, faziam parte da equipe de segurança pessoal de Andrade e prestavam serviços diretos e ele a seus familiares.
Ainda de acordo com o MPRJ, Carlos André, em conjunto com Rogério de Andrade, foi denunciado por subornar um policial militar da ativa para colher informações sigilosas sobre operações policiais e para direcionar ações contra estabelecimentos de jogos clandestinos explorados por grupos rivais.
A 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), recebeu a denúncia contra os policiais e o bicheiro. Os três responderão por constituição de organização criminosa voltada à exploração ilegal de jogos de azar e corrupção ativa.
A segunda fase da Operação Petrorianos foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM).
Questionada, a Polícia Militar informou que os PMs acusados serão encaminhados à Unidade Prisional da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (UPPMERJ), em Niterói, na Região Metropolitana. Segundo a corporação, mesmo na condição de policiais da reserva, eles passarão por Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar a possibilidade de permanência dos acusados nos quadros da PM.
“O Comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados”, diz a nota.
Há dois tipos de aposentadoria para militares no Brasil. A reserva, como ambos os agentes são, permite a volta à atividade em caso de necessidade. Já a reforma é o desligamento definitivo, geralmente devido a invalidez ou idade limite, sem retorno ao serviço.
Rogério de Andrade
O bicheiro Rogério de Andrade, que também teve mandado de prisão cumprido nesta quinta, está detido na Penitenciária Federal de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024. Ele é apontado como chefe de uma organização criminosa e mandante da morte do contraventor Fernando Iggnácio, com quem disputava o controle de pontos do jogo do bicho.
Rogério foi preso em outubro de 2024 por acusação de mandar matar Iggnácio, crime ocorrido em 2020. Os contraventores são, respectivamente, sobrinho e genro de Castor de Andrade, um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio, que morreu em 1997.
O homicídio de Fernando aconteceu no estacionamento de um heliporto, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste, quando desembarcava de uma aeronave. Ele acabou atingido por três tiros, um deles na cabeça.
Segundo denúncia de 2021 do MPRJ, a morte de Iggnácio foi ordenada por Rogério de Andrade e Márcio Araújo de Souza, e a execução realizada por Rodrigo Silva das Neves, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho, e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro.
O MPRJ denunciou Rogério no mesmo ano pelo crime, que acabou sendo preso, mas acabou solto em 2022, por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, ele chegou a ser detido outra vez em 2022, mas deixou a cadeia poucos meses depois após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder liminar para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, que incluíam a tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite.
Por fim, o contraventor acabou novamente preso em 2024, durante a Operação Último Ato. Antes de ser transferido para o presídio federal de Campo Grande, Rogério ficou detido em uma cela isolada de 6m² na penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, em Bangu 1, na Zona Oeste, unidade prisional de segurança máxima do Estado do Rio.

