Grace Gianoukas estrela premiado espetáculo em homenagem à Dercy Gonçalves
‘Nasci Pra Ser Dercy’ fica em cartaz no Teatro Rival Petrobas, na Cinelândia, até domingo (17)
Aclamado pelo público e dono de uma série de prêmios, o espetáculo “Nasci Pra Ser Dercy” está em cartaz no Teatro Rival Petrobras, na Cinelândia, até domingo (17). Estrelado por Grace Gianoukas, o monólogo homenageia Dercy Gonçalves (1907-2008), uma das mulheres mais importantes e emblemáticas da cultura brasileira. Ela, que faleceu aos 101 anos, também era conhecida pelo bom-humor e por ser ‘desbocada’.
Embora fique feliz com o reconhecimento da produção, Gianoukas reforça que o carinho do público é seu maior prêmio. “Eu me orgulho muito. Tenho 43 anos de carreira e esse espetáculo me proporcionou o olhar dos críticos. É muito legal ter isso no currículo, mas tenho há muitos anos um reconhecimento grande do público, e isso é bacana. Fico muito feliz que o espetáculo tenha ganhado tantos prêmios. Isso é muito bom, mas acho que o meu maior prêmio é o público, que vem e adora”, reflete.
História que não é contada
Quando foi convidada pelo diretor Kiko Rieser para o monólogo, Grace decidiu mergulhar de cabeça na história de Gonçalves, para que pudesse não somente imitar a artista, mas interpretá-la com o máximo de detalhes. Para isto, procurou entendê-la desde a infância difícil, passando pelo início de carreira complicado até o ícone que mudou a forma de se fazer comédia, principalmente feminina, no Brasil.
“Ela teve pouco estudo, mas era uma mulher muito inteligente, brilhante. Quando comecei a conhecer mais a Dercy e estudar mais para fazer o espetáculo, descobri a infância muito difícil que ela teve em Santa Maria Madalena, uma cidade do interior do estado do Rio, quase rural. Naquela época, em 1907, as regras eram muito rígidas, e a Dercy, por ser muito espontânea, ter uma personalidade forte e ser muito brincalhona, foi muito discriminada”, diz.
Em seguida, Grace explica que a artista, por volta dos 12 ou 13 anos de idade começou a trabalhar na bilheteria do único cinema que tinha na cidade para ajudar a família. Foi ali que, aos fins de semana, observando as grandes atrizes do cinema mudo, o sonho de brilhar nos palcos cresceu em Dercy.
“Ela foi criada por uma irmã três anos mais velha. As referências femininas que ela tinha eram as atrizes do cinema mudo. Ela gostava muito de brincar, então, colocava umas roupas, pegava carvão do ferro de passar roupa e passava no olho para usar de sombra. Ela saía pela cidade brincando e todo mundo já dizia que ela era uma p*ta. Ela sofreu muita discriminação. Não fazia nada e já era mal falada, ainda mais para aquela época. O pai dela era um cara muito rígido, batia muito nela”, narra.
Pioneira da comédia
Para Grace, Dercy foi um dos grandes nomes da comédia brasileira. A atriz exalta o legado da artista e fala sobre a grandiosidade dela para a cultura do país. “Com sua originalidade e criatividade, criou, junto com Grande Otelo, Oscarito…, um estilo de comédia brasileiro, um tempo de comédia brasileiro, que é imitado por milhões de pessoas que não dão o crédito para ela. Ela não está na academia, não é estudada”, aponta a atriz, que reconhece em si alguns pontos da personalidade da homenageada.
Para dar vida a Dercy em cima do palco, Gianoukas tem seu momento de concentração antes do monólogo. “Já tenho um ritual. Eu maquio, eu penso, coloco umas músicas, que me traz esse universo da beleza que eu descobri, que me conectei”, relata.

