Vereadora do Rio relata arma apontada para cabeça em abordagem da PM; carro tinha 4 passageiros negros

Tainá de Paula (PT) em sessão na Câmara Municipal, em março — Foto: Divulgação/Câmara do Rio

A vereadora Tainá de Paula (PT) voltava da Câmara Municipal para casa na noite de quinta-feira (27), quando foi abordada por policiais militares. Ela conta que armas foram apontadas para a cabeça dos quatro passageiros do carro, todos negros.

De acordo com o relato da parlamentar, uma moto não identificada passou a andar muito próxima do carro, piscando a seta.

Os policiais não se identificaram, segundo ela, e o carro da vereadora não parou. A partir daí, foi cercado por quatro motos da polícia.

“Não é possível que pessoas negras num carro blindado possa causar tanta estranheza”, disse Tainá, ressaltando que seu carro é blindado e, por isso, as janelas de trás não abrem.

“Eles saem da moto e começam a mirar com os revólveres nas nossas cabeças. Meu carro é blindado, as janelas de trás não abrem e eles queriam muito fazer isso. Pediam para sair rápido do carro, de uma forma belicosa e nos xingando”, conta.

Além do motorista e de Tainá, dois assessores estavam no carro a caminho de suas casas.

“Meus assessores falam que eu sou vereadora, eles dizem que não conhecem Tainá de Paula e pedem para sair com a mão na cabeça e começam a revistar o porta-mala”.

Tudo isso ocorreu a cerca de 800 metros de onde a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram perseguidos e metralhados pelos ex-policiais Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa. A semelhança da cena assustou Tainá.

Tainá de Paula relata truculência policial em abordagem — Foto: Editoria de Arte/G1

Tainá de Paula relata truculência policial em abordagem — Foto: Editoria de Arte/G1

“A gente ficou muito abalado exatamente por causa disso, foi um lugar muito próximo. É muito dura a realidade do Rio. “, disse ela.

“Tem um tom de racismo estrutural grave nesse país e a violência foi banalizada. Espero que essas coisas não aconteçam mais”.

Tainá afirma que está preparando uma notificação, por meio de seu mandato na Câmara, ao comando da Polícia Militar. Em nota, a PM informou que vai aguardar ser notificada.

“Diante da comunicação oficial, o comando da Corporação irá apurar as circunstâncias do fato”.

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