Vereador de São Gonçalo descobre depósito de alimentos estragados em escola municipal

Carne estragada e caixas de leite fora da validade… esse foi o cenário descoberto pelo vereador Jalmir Júnior, de 36 anos, no depósitos de alimentos do CIEP 411 Doutor Armando Leão Ferreira, no Engenho Pequeno, em São Gonçalo, na última sexta-feira (21). Segundo o vídeo postado nas redes sociais do vereador, que também é membro da Comissão Permanente de Educação da Câmara, foram encontrados no local mais de 100 litros de leite vencidos e aproximadamente 15 quilos de carne estragada. O vereador também afirmou que esse material seria encaminhado para a merenda que as crianças da unidade consumiriam na volta às aulas presenciais. Os produtos estavam armazenados, mas a grande questão é: por qual motivo ele não foi doado para aqueles que estão passando fome na pandemia antes de estragar?

Essa foi a pergunta feita pelo vereador Jalmir no dia em que ele descobriu os alimentos estragados na  unidade de ensino.

“O policial civil Sérgio Papito recebeu essa denúncia, me passou e, então, fomos apurar. No local, eu cheguei a ser barrado pela diretora da unidade, mas depois de muito afirmar que eu sou vereador e como a escola é municipalizada, eu posso sim entrar no local, conseguimos ir até o depósito da unidade. Ao chegarmos lá, o cheiro ruim e forte dos alimentos estragados dominavam o ambiente”, afirmou o vereador. 

Ainda segundo Jalmir, as etiquetas das carnes foram retiradas, por isso, ele não sabe dizer qual era a validade delas, mas ele afirma que o cheiro e a cor demostrava que o produto estava impróprio para consumo.

Depósito de escola do município tem comidas estragadas

“O mal cheiro da carne estragada era muito forte e ela estava com uma cor ruim”, concluiu ele. Apesar disso, as caixas de leite que estavam no local possuíam suas datas de validade e, com isso, foi possível ver que a maioria venceu nos meses de maio e junho.

Depósito de escola do município tem comidas estragadas

“Elas estão vencidas desde maio e junho, então, devem estar no depósito, no mínimo, há dois meses. Ninguém pensou em doar esses materiais para aqueles que estão precisando. Tinha que existir um planejamento para isso. Eu acho que os alimentos poderiam ter sido doados antes de estragar, mas ninguém fez isso”, afirmou ele. 

Após ele checar a primeira denúncia, segundo informações cedidas pelo próprio vereador, a Secretaria de Educação de São Gonçalo ordenou que outros depósitos de escolas municipais fossem checados e, por isso, Jalmir acredita que outras unidades de ensino podiam sim estar com alimentos estragados em seu depósito.

“Eu acredito sim, pois a secretária depois pediu que fossem fiscalizadas outras unidades, deveriam ter alimentos estragados em outras unidades, mas não posso afirmar em quantas.  Essa quantidade de comida poderia ter sido doada para ajudar famílias com fome. Ainda fui informado de que os responsáveis pela unidade de ensino haviam dito, antes da minha visita, que esses alimentos estragados faziam parte da merenda dos alunos no retorno presencial à aulas”, contou Jalmir. 

Jalmir informou que seu gabinete enviou, na última terça-feira (25), um ofício com a denúncia para o Ministério Público do Estado e para o Ministério Público Federal, já que o dinheiro para a merenda das crianças tem origem em Brasília. Ainda segundo Jalmir, a Comissão Permanente de Educação da Câmara também deve enviar um ofício para os mesmos órgãos com a denúncia. 

Comissão Permanente de Educação da Câmara vai apurar 

O presidente da Comissão Permanente de Educação da Câmara, Paulo Roberto Antunes, 61 anos, afirmou que a Secretária de Educação o informou que já havia dado a ordem para que os alimentos estragados do Ciep 411 fossem retirados do local. 

Mesmo assim, Paulo está preparando um ofício com a denúncia do caso que deve ser assinado, segundo ele acredita, por todos os membros da Comissão em uma reunião plenária que deve ocorrer ainda hoje (26). Após isso, esse documento será protocolado na Secretaria de Educação e será encaminhado para o Ministério Público do Estado e para o Ministério Público Federal.

“Estamos cobrando explicações, pois não tem cabimento deixar alimentos vencerem no momento atual, em que diversas pessoas estão passando fome. A Secretaria de Educação não poderia ter permitido isso”, contou Paulo.

Para conferir o vídeo de Jalmir no depósito do CIEP 411, basta acessar o link a seguir: 

https://www.instagram.com/tv/CERggXCDgD9/?igshid=drhbna7fsikr

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