Vale amplia mancha de inundação de barragem em Barão de Cocais; famílias serão removidas

A Vale deve remover nos próximos dias mais famílias que vivem na área de risco da barragem Norte Laranjeiras, da Mina de Brucutu, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais. A zona de autossalvamento da estrutura foi ampliada pela mineradora após uma revisão da mancha de inundação. Segundo a empresa, não houve alterações nas condições de segurança da barragem.

O número de famílias que vão precisar deixar suas casas ainda está sendo levantado. Em dezembro do ano passado, a Defesa Civil havia informado que 35 pessoas já haviam sido levadas para moradias temporárias, após o nível de emergência da barragem subir de 1 para 2, devido ao surgimento de uma trinca.

Já a Vale informou nesta quinta-feira (18) que, na verdade, seis famílias, com 14 pessoas, foram removidas em dezembro.

Mancha de inundação

A nova mancha de inundação da barragem foi apresentada pela Vale à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) em uma videoconferência nesta quarta-feira (17). A Defesa Civil de Barão de Cocais e um representante do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também participaram do encontro.

Segundo a Cedec, após a atualização das informações, foi elaborado um plano de trabalho para a remoção programada das famílias. Nos próximos dias, uma reunião será realizada com os moradores das áreas a serem evacuadas para a organização das ações e resolução de dúvidas.

Ainda de acordo com a Defesa Civil, pontos de bloqueio de acesso às áreas da zona de autossalvamento devem ser instalados. Estas zonas consistem nas regiões que ficam até 10 km ou 30 minutos do ponto de rompimento da barragem. Não há tempo hábil para que nenhum órgão público atue.

A Vale informou que vai acolher as famílias afetadas e prestar “toda assistência necessária” a elas até que a situação seja normalizada.

A mineradora ressaltou que “não há alterações nas condições de segurança” da barragem, que permanece em nível 2 de emergência. Ela afirmou ainda que a atualização de informações sobre os cenários de rompimento “está em linha com a abordagem conservadora quanto à gestão de riscos” e atende o termo de compromisso firmado com o governo de Minas e o Ministério Público, que “definiu novos parâmetros para atualização das manchas de inundação”.

De acordo com a Vale, a Barragem Norte Laranjeiras já não recebe mais rejeitos e tem passado por ações de melhoria de segurança. A companhia destacou que “todas as suas barragens são monitoradas permanentemente”.

A Prefeitura de Barão de Cocais informou que a Defesa Civil municipal “está acompanhando ativamente todo o processo para garantir a segurança dos moradores e o devido monitoramento durante as realocações”.

Sem data pra voltar

Barragem Sul Superior da Vale em Barão de Cocais corre o risco de se romper — Foto: Reprodução/TV Globo

Barragem Sul Superior da Vale em Barão de Cocais corre o risco de se romper — Foto: Reprodução/TV Globo

Outras 156 famílias das comunidades de Socorro, Tabuleiro, Piteiras e Vila do Gongo estão fora de casa, vivendo em moradias provisórias, por causa do risco de rompimento da Barragem Sul Superior da mina Gongo Soco que está em nível 3 de emergência. Ao todo, são 439 pessoas.

Em setembro deste ano, cerca de 50 deles voltaram, mesmo sem autorização, para as casas que ficam na zona de autossalvamento. A Polícia Militar chegou a ser acionada e retirou as pessoas do local.

Desde o mês de junho de 2019 não há nenhum núcleo familiar evacuado da ZAS em hotéis. Atualmente 20 desses núcleos familiares já se encontram em moradias próprias.

Contenção:

A contenção da barragem Sul Superior da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, está concluída e conterá todos os rejeitos que cheguem até a estrutura em caso de uma eventual ruptura. A estrutura foi construída em concreto e possui 36 metros de altura e 330 metros de comprimento.

Monitoramento:

A barragem Sul Superior encontra-se em nível 3 de emergência do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração. O monitoramento da estrutura é contínuo e realizado por meio de instrumentos como piezômetros automatizados, radares terrestres, estação robótica total e microssísmica. A estrutura é observada por câmeras de vigilância 24 horas por dia, sete dias por semana

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: