Vacinas protegem contra infecções sexualmente transmissíveis: saiba quais são e quando tomar

Embora seja inegável que o método mais simples, seguro e eficaz de evitar as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) seja a camisinha, há outras estratégias importantes de prevenção, como estar em dia com a sua caderneta de vacinação. Isso porque, além de imunizantes como o do sarampo, da pólio e da Covid-19, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza nos postos de saúde de todo o país doses que previnem doenças disseminadas pelo sexo e ampliam a proteção contra as ISTs.

— As vacinas que temos hoje no país, e que estão disponíveis no PNI, são para hepatite A, hepatite B e para o HPV. Existe também a vacina contra a monkeypox (varíola dos macacos), mas ainda não a temos disponível no Brasil para a população de maior risco — explica a infectologista, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi.

As vacinas fazem parte do calendário infantil, já que as doenças contempladas por elas não são transmitidas exclusivamente pelo sexo, e a eficácia dos imunizantes é maior quando aplicados anteriormente ao início da vida sexual. Porém, como algumas doses foram incorporadas na rede pública recentemente, muitos adultos podem não ter recebido a proteção e, por isso, têm a indicação de se vacinar e não sabem.

O que são as hepatites A e B e quando tomar a vacina?

As hepatites A e B são infecções virais no fígado, marcadas por sintomas como dores musculares e de barriga, diarreia, vômitos, cansaço, perda de apetite e pele ou olhos amarelados (icterícia).

— Essas doenças podem evoluir para serem crônicas, ter um quadro agudo muito grave. A hepatite A nos adultos pode ser uma causa importante inclusive de falência do fígado com indicação de transplante. a Hepatite B pode dar um quadro de cirrose, e também é uma causa importante de câncer de fígado — explica Raquel Stucchi, infectologista, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

De acordo com o calendário do PNI, a vacina da hepatite A é recomendada no esquema de dose única, aos 15 meses de vida. Pode ser aplicada no máximo até a criança completar cinco anos, porém o quanto antes melhor. Na rede privada, é administrada em duas doses, aos 12 e 18 meses de idade, o que segue orientações das sociedades de pediatria e de imunizações.

Adultos que não foram imunizados, ou cujo exame de sorologia mostre que não têm anticorpos para o vírus da hepatite A podem se vacinar, mas apenas na rede privada. Nesse caso, a imunização é feita em duas doses, com um intervalo de seis meses entre elas.

Já para a hepatite B, a imunização no PNI acontece no esquema de quatro doses. A primeira é administrada logo ao nascer, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, até no máximo 30 dias após o nascimento. As demais aplicações fazem parte da proteção pentavalente, que previne, além da hepatite B, difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo b – uma bactéria que pode causar infecções graves, como meningite. Essas três últimas doses são feitas aos 2, 4 e 6 meses de vida.

A proteção contra a hepatite B, porém, de modo diferente daquela para a hepatite A, está disponível no PNI para adolescentes e adultos que não tenham se vacinado quando crianças, ou cujos exames laboratoriais tenham demonstrado ausência de anticorpos. Não há limite de idade, e o esquema é feito em três doses: a segunda no intervalo de um mês após a primeira, e a terceira seis meses depois da segunda.

O que é o HPV e quando tomar a vacina?

Cerca de 95% dos casos de câncer de colo de útero são relacionados ao vírus HPV. Esse tipo de tumor é o terceiro maligno mais frequente na população feminina brasileira, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Nos homens, o vírus já foi associado ao câncer de pênis e de ânus, além do câncer de cabeça e pescoço em ambos os sexos.

Pelo PNI, a vacina que protege contra o vírus está disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos no esquema de duas doses com o intervalo de seis meses entre elas. Ainda que possa proteger contra diversos tumores, a cobertura no Brasil e no Mundo é baixa. A Organização Mundial da Saúde alerta que, entre 2019 e 2021, apenas 15% das meninas de 9 a 14 anos se vacinaram.

Além disso, o imunizante é relativamente recente, tendo sido incorporado no PNI apenas em 2014. Por isso, muitos adultos não estão protegidos e devem se vacinar. De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), não há limite de idade para receber as aplicações, mas estudos sugerem limitação da eficácia após os 45 anos. Para todos com mais de 14 anos, o esquema é de três doses. O intervalo é de dois meses entre a primeira e a segunda, e de quatro meses entre a segunda e a terceira.

“Mas determinados grupos de maior risco para adquirir a doença, mesmo mais velhos podem acessar pelo SUS por meio dos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE), que são salas de vacinas especiais para a população HIV positiva, pacientes imunossuprimidos, e outras pessoas de maior risco. Nesse caso, mulheres de até 45 anos, e homens até 26 anos podem checar se são elegíveis para a vacinação na rede pública. Num futuro breve, deve ser ampliado para homens até os 45 anos também”, diz Raquel, consultora da SBI.

HIV e Mpox

Embora não seja uma vacina, outro método importante de prevenção destinado a grupos de maior exposição é a profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a infecção pelo HIV, vírus que pode causar a síndrome da Aids.

Trata-se de uma combinação de medicamentos, ingeridos diariamente, que inibem mecanismos que o vírus utiliza para infectar o organismo caso a pessoa seja contaminada. A adesão à PrEP está disponível pelo SUS para homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e trabalhadores do sexo.

Há ainda a profilaxia pós-exposição (PEP), um método emergencial de prevenção após a pessoa potencialmente ter sido exposta ao vírus, como depois de uma relação sexual desprotegida. É um mecanismo semelhante ao da PrEP, e deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras duas horas, no máximo em até 72 horas. O tratamento para evitar a contaminação dura 28 dias.

Em relação à Mpox, desde que o surto mundial teve início, no ano passado, diversos países começaram a utilizar a vacina contra a varíola humana, que foi erradicada, para a doença, também para grupos específicos.Esse tipo de vírus oferece proteção cruzada, ou seja, um previne o outro. Porém, a alta demanda e a baixa produção tornaram as doses escassas. O Brasil garantiu cerca de 50 mil doses, porém nem 20% foram entregues e estão sendo utilizadas apenas em estudos clínicos.

— A vacina é indicada para populações mais em risco da doença, homens que fazem sexo com homens e que tem múltiplos parceiros sexuais. Também é indicada para as pessoas que vivem com HIV/Aids. O imunizante é importante, a monkeypox é uma infecção que pode ser grave e até mesmo levar ao óbito. O Brasil é o segundo país do mundo em número de casos de monkeypox e um dos países com maior número de mortes por monkeypox — afirma o infectologista Valdez Madruga.

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