fbpx

Vacina da UFRJ pode se adaptar a diferentes variantes do coronavírus

Antes de dar início aos testes em humanos da vacina UFRJ Vac, o que deve acontecer até o fim deste ano, pesquisadores da Coppe/UFRJ vão decidir qual é a variante do coronavírus que irá orientar o desenvolvimento do imunizante. Os testes em animais de eficácia contra a variante Delta terão início neste mês e serão concluídos até setembro.

Segundo a professora Leda Castilho, coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (Lecc) da Coppe/UFRJ, a tecnologia usada no desenvolvimento da vacina pode se adaptar a cada variante.  A vacina da UFRJ é baseada na cópia de uma proteína que recobre a superfície do vírus, chamada de proteína recombinante. Segundo Leda Castilho, a proteína do coronavírus, de nome spike ou proteína S, é a mesma que aparece nas variantes, porém com algumas mutações.

“Essa tecnologia é facilmente aplicável a outras variantes do coronavírus e outros vírus também. Para cada vírus, é preciso entender e pesquisar qual é a melhor proteína viral para ser usada como componente ativo, o IFA da vacina. No caso do coronavírus, já se sabe que é a proteína chamada de spike. Ela é uma boa IFA para vacinas. Se forem variantes do coronavírus, é a mesma proteína, mas com as mutações respectivas de cada variante. Inclusive, a nossa vacina já está preparada e já se refere à proteína de algumas variantes”, explica Leda Castilho.

Durante os testes em camundongos, que tiveram início no ano passado e estão em fase final, os cientistas do Lecc da Coppe/UFRJ verificaram que a UFRJ Vac se mostrou eficaz contra as variantes P1 e P2, identificadas em Manaus e no Rio de Janeiro, e a variante Beta, da África do Sul. 

A utilização da proteína recombinante para o desenvolvimento do imunizante é a mesma técnica utilizada na vacina contra a gripe e outras doenças, como a hepatite B e o HPV. “Há outras vacinas, já há muitos anos sendo usadas, inclusive em recém-nascidos e em idosos, que também são baseadas nesta tecnologia de proteína recombinante. Um exemplo é a vacina contra a hepatite B, que é amplamente usada desde a década de 1980, a vacina contra o HPV, aplicada em crianças e adolescentes desde 2007, e também a vacina contra a gripe, que é utilizada em idosos no mundo todo, anualmente, desde 2013”, destaca Leda Castilho. 

Segundo a pesquisadora, o pedido de autorização de testes em humanos será submetido à Anvisa neste mês. No entanto, como antecipou a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, a solicitação pode ser protocolada ainda nesta semana. A afirmação foi feita nesta terça-feira, durante entrevista coletiva do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na Clínica da Família Adib Jatene, na Maré, na Zona Norte do Rio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: