Única fabricante de chips da América Latina, Ceitec está perto da extinção

O Chevrolet Onix, carro mais vendido no Brasil há 6 anos, está com a produção parada há 3 meses por causa de uma escassez global de semicondutores –os chips, usados em qualquer produto eletrônico.

Desde de janeiro, a fabricação nacional de veículos oscila entre 190 mil e 200 mil unidades, o que revela uma espécie de “teto técnico” motivado não pela ausência de demanda, mas pela crise global de fornecimento de semicondutores, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

De acordo com o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, a falta do insumo é um “sinal de alerta” para a necessidade de desenvolvimento de políticas industriais que conduzam à produção local dos componentes, “que são a base de toda a revolução tecnológica do 5G, internet das coisas, automação e outras já em curso”.

A pandemia, e o aumento de atividades remotas e da permanência de pessoas em casa, fez aumentar a procura por produtos eletrônicos em todo o mundo, o que impactou a oferta dos semicondutores. Para Moraes, o setor automotivo e outras indústrias dependem cada vez mais desses insumos. “Já estamos atrasados, o que exige urgência e grande visão de futuro por parte dos nossos dirigentes”, disse.

Parte de uma estratégia de desenvolver a microeletrônica no Brasil, o Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) está em vias de ser extinto pelo governo federal. Criada em 2008 para explorar diretamente atividade econômica do setor, passa agora por um processo de liquidação pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), do Ministério da Economia. É a única empresa da América Latina capaz de projetar e produzir semicondutores de silício.

Na 4ª feira (16.jun.2021) o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações publicou no Diário Oficial da União (íntegra – 553 KB) o edital de chamamento público para a escolha da OS (organização social) que vai ficar responsável pelas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação até então desenvolvidas pelo Ceitec. A produção de semicondutores será encerrada com o fim da empresa, previsto para 2022.

Dos 48 funcionários que trabalhavam como especialistas em tecnologia eletrônica avançada no Ceitec, a OS deverá manter pelo menos 24. A estatal tinha, ao todo, 183 trabalhadores. Segundo o edital, a “expectativa” é de que o ministério repasse à OS R$ 20 milhões anuais por 4 anos para o cumprimento do contrato. A organização também poderá buscar outras fontes de recursos, públicas e privadas, nacionais ou estrangeiras, para se viabilizar financeiramente.

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