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“Uma festa cancelada é melhor do que uma vida perdida”, diz líder da OMS

Talvez seja a hora de repensar os planos para as festas de fim de ano, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em meio a um aumento de casos da Covid-19 causados pela variante Ômicron.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a pandemia pode causar o cancelamento de eventos presenciais durante o período de festas de fim de ano, acrescentando que “uma festa cancelada é melhor do que uma vida perdida”.

A variante Ômicron está tomando o mundo em uma velocidade que ainda não havia se visto. Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (20), Tedros apontou que há apenas um mês, a África estava registrando seu menor número de casos em 18 meses. Na semana passada, a região apontou o quatro maior númeor de casos em uma única semana desde o início da pandemia.

Nos Estados Unidos, a variante tornou-se dominante menos de vinte dias depois de ser registrada pela primeira vez no local.

“Há evidência consistente agora de que a Ômicron está se espalhando significativamente mais rápido do que a variante Delta, e é mais provável que pessoas que foram vacinadas ou já se recuperaram da Covid-19 possam ser infectadas ou reinfectadas”, disse Tedros.

Vários países ao redor do mundo já impuseram novas restrições a reuniões.

A Holanda introduziu um novo lockdown restrito com início no domingo (19), que permite um máximo de dois convidados em qualquer reunião, fora o Natal e a véspera de Ano-Novo, quando quatro convidados serão permitidos.

A província canadense de Ontário impôs novos limites a reuniões em locais fechados, cortando o número de pessoas permitidas de 25 para 10.

O recém-formado Conselho Especialista em Covid-19 da Alemanha disse na segunda-feira que o governo deve tomar “medidas nacionais, bem coordenadas e bem comunicadas de redução de contato” para combater o espalhamento da variante.

A França também anunciou que grandes eventos externos serão banidos na véspera de Ano-Novo, e Paris não terá sua queima de fogos tradicional.

Na Coreia do Sul, o governo reverteu seu plano em fases para aliviar as restrições na semana passada, e reinstaurou medidas de distanciamento social, incluindo um toque de recolher nacional às 21h para restaurantes e cafés.

A Nova Zelândia disse na terça-feira (21) que irá adiar sua abertura gradual das fronteiras até o final de fevereiro por conta de precauções com a Ômicron.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse na segunda-feira que deve tomar ações para prevenir o aumento do coronavírus e da nova variante no Reino Unido – mas ainda não anunciou novas restrições.

No entanto, a Rainha Elizabeth II já cancelou sua reunião familiar tradicional de Natal em meio ao surto de Ômicron. Enquanto isso, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, declarou no sábado um “incidente grave” na capital devido ao número de casos em rápido crescimento. O termo “incidente grave” é usado para se referir a um evento que requer arranjos especiais entre os serviços de emergência e as autoridades locais.

Falando na segunda-feira, Tedros reconheceu que as pessoas estão “cansadas dessa pandemia”.

“Todos nós queremos passar tempo com nossos amigos e família. Todos queremos que volte ao normal. A forma mais rápida de fazer isso é se todos nós – líderes e indivíduos – fizermos decisões difíceis para proteger-nos e proteger aos outros”, disse.

“É melhor cancelar agora e celebrar depois, do que celebrar agora e estar enlutado depois. Nenhum de nós quer estar aqui de novo em 12 meses, falando sobre oportunidades perdidas, desigualdade contínua ou novas variantes”, acrescentou

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