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Trump e Biden disputam o legado da vacinação nos EUA

Imagem de Joe Biden no jardim da Casa Branca, em 16 de fevereiro de 2021 — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Agora que a vacinação nos EUA surte efeito e libera os americanos para frequentar locais fechados sem máscaras, Joe Biden e seu antecessor Donald Trump disputam quem levará o crédito pela bem-sucedida campanha de imunização para o combate à pandemia do novo coronavírus.

O atual presidente se vangloria por ter dado ordem à falta de planejamento do governo anterior, acelerando em dois meses todo o programa de vacinação. Biden anunciou o recorde de 2,9 milhões de pessoas imunizadas num só dia, sábado passado. E assegura que até o fim de maio todos os adultos dos EUA terão sido vacinados.

O prognóstico otimista fez Trump romper o silêncio e ressurgir das cinzas. Banido das redes sociais, o ex-presidente soltou uma declaração na linguagem costumeira, na qual reafirma que são seus os méritos pelo rápido lançamento simultâneo de vacinas contra a Covid-19 no país.

“Se eu não fosse o presidente, na melhor das hipóteses, vocês não teriam aquela bela injeção, pelos próximos cinco anos. Espero que todos se lembrem”, especificou.

Se estivesse tão convicto de seu desempenho, Trump e a mulher Melania teriam se deixado fotografar, ao serem vacinados sem alarde em janeiro, antes de deixar a Casa Branca. Como assinalou o infectologista Anthony Fauci, o ex-presidente desperdiçou ali a oportunidade de exercer o poder de convencimento aos que ainda hesitavam a serem vacinados. Seus antecessores Jimmy Carter, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama não perderam a chance e se engajaram no programa.

O marco dessa disputa entre Biden e Trump é o primeiro aniversário da pandemia do novo coronavírus. Após obter a primeira grande vitória na Câmara, com a aprovação de um pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão, Biden discursa nesta quinta-feira em horário nobre, para relembrar os sacrifícios impostos aos americanos e vislumbrar sinais concretos de esperança.

O vírus, que Trump faz questão de designar até hoje como chinês, infectou 29 milhões nos EUA, dos quais 530 mil sucumbiram. O impacto devastador na economia resultou em recessão e 6,2% de desemprego. Mas há exatamente um ano, quando a epidemia era declarada pandemia, o então presidente ainda previa um risco “muito, muito baixo de contaminação”.

A demora na ação, a persistência em minimizar seus efeitos, justamente no ano eleitoral, minaram a credibilidade do governo. Trump insistiu em tratamentos equivocados, entrou em rota de colisão com especialistas de saúde, recusou-se a usar máscaras, mas não resistiu às vacinas. Apenas se embaralhou com falsas promessas de iniciar a imunização a tempo hábil das eleições.

O que se passou em seguida já é conhecido. Nos 50 dias de governo, o atual presidente americano evitou fracassar em prognósticos, ressaltando sempre a bagunça recebida como herança. Soube, contudo, tirar proveito do plano iniciado pelo governo anterior. Por isso, tanto Biden quanto Trump agora cantam vitória e não abrem mão de suas conquistas na vacinação.

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