Trump busca contestar eleição no Congresso

Derrotado novamente, agora por 306 a 232 no Colégio Eleitoral, o presidente Donald Trump ainda busca um atalho para recuperar a eleição, após investidas fracassadas na Suprema Corte. Sinaliza que não está na hora de virar a página, como pregou o presidente eleito Joe Biden em seu segundo discurso de vitória, nesta segunda-feira.

Trump e sua tropa de aliados ainda miram uma vitória no Congresso, no dia 6 de janeiro, quando serão contados os votos do Colégio Eleitoral. Pela lei, basta que um deputado e um senador assinem uma objeção por escrito ao resultado de um estado para que a sessão conjunta seja suspensa e cada Câmara se reúna para debatê-la e votá-la.

Um dos escudeiros do presidente, o deputado Mo Brooks, do Alabama, sugeriu que está disposto contestar a eleição e que o veredito final para determinar quem será o presidente dos Estados Unidos é do Congresso. “Temos um papel superior ao da Suprema Corte, ao de qualquer juiz de um tribunal federal e ao de qualquer juiz de um tribunal estadual”, desafiou.

A dúvida é se os republicanos ainda têm disposição para encarar mais esse desgaste, que exporia as divisões do partido. Como admitiu o senador John Thune, vice-líder da maioria republicana no Senado, a iniciativa teria pouco apoio. Assim que os votos do Colégio Eleitoral reafirmaram a vitória de Biden, congressistas republicanos começaram a levantar a bandeira branca na direção do presidente eleito.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de teleconferência com militares, no Dia de Ação de Graças, na Casa Branca, na quinta-feira (26) — Foto: AP Photo/Patrick Semansky

Foi o que fez o senador John Cornyn, do Texas, baixando a guarda e encarando como fútil e desnecessária qualquer tentativa de questionar a eleição no Congresso. “Chega um momento em que você tem que perceber que, apesar de seus melhores esforços, não teve sucesso.”

O movimento de reconhecimento de Biden é tímido e tardio. Enquanto Trump e sua tropa buscavam reverter o resultado eleitoral em dezenas de ações judiciais malsucedidas, a maioria dos republicanos influentes e com cargos políticos se mantinha em silêncio.

O presidente demoveu todas as tentativas de uma transição de poder pacífica, sob o olhar conivente de seus correligionários. Se ao menos uma destas investidas ocorresse em qualquer outro país, os EUA a condenaria como uma terrível tentativa de minar a democracia, avaliou o comentarista David Axelrod, ex-estrategista de Barack Obama.

Por medo de desafiar o presidente ou buscando salvar a própria pele, políticos republicanos esticaram a corda durante 37 dias na tentativa de reverter o resultado da eleição. Contestá-la no Congresso é prerrogativa prevista na Constituição, mas, como bem resumiu o senador republicano John Thune, não leva a lugar algum.

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