Teste falso na Copa América pode barrar liberação de público na Libertadores

O Rio de Janeiro começa a investigar ainda essa semana os testes de RT-PCR apresentados à Confederação Sul-Americana (Conmebol) por torcedores no sábado (10), para acesso ao Maracanã para a decisão da Copa América, vencida pela Argentina.

A medida foi anunciada pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. O objetivo é verificar se todos eles são regulares, depois que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) afirmou ter percebido problemas em alguns exames apresentados por torcedores que queriam acompanhar presencialmente a final.

O secretário garantiu que os envolvidos serão responsabilizados, e não descartou punir nem mesmo a própria Conmebol. No sábado, a entidade divulgou um comunicado, no qual revelou ter detectado a apresentação de testes falsos para acesso ao estádio, e que as pessoas que os portavam não assistiriam ao jogo.

“A prefeitura recolheu os testes, a segunda via, e vai analisar se eles têm a assinatura de um profissional médico ou de um profissional de laboratório responsável. Os que não tiverem podem ser considerados testes falsos. A análise vai começar ao longo da semana e pode gerar denúncia, tanto para a pessoa que falsificou o teste quando para a própria Conmebol”, afirmou.

A decisão de permitir o acesso de público à final da competição foi anunciada pelo município na sexta-feira (9), véspera do jogo, quando o município liberou a presença de até 10% da capacidade do Maracanã, um total de 7,2 mil pessoas. 

A Conmebol disciplinou a presença com uma norma que limitou o público a 2,2 mil torcedores credenciados de cada lado. No entanto, os acontecimentos do dia da partida irritaram as autoridades do município e desgastaram a relação com a Conmebol.

“A Conmebol descumpriu duas partes importantes do protocolo. Seria a responsável pela realização dos testes e essa realização aconteceria em ambiente controlado. Nosso pedido era que fossem utilizados todos os setores do estádio, todas as entradas, com horários escalonados, para que se evitasse qualquer tipo de aglomeração. Infelizmente, isso não foi cumprido, o que dificulta a confiança da prefeitura”, afirmou Soranz.

Procurada, a Conmebol não quis se manifestar sobre o assunto por ainda não ter sido notificada pelo município. No entanto, fontes ligadas à instituição disseram à CNN que o comunicado divulgado no sábado aconteceu porque a entidade foi surpreendida com os fatos ocorridos nos arredores do Maracanã horas antes da decisão. 

Segundo elas, além da apresentação de uma quantidade não revelada de testes falsos, exames deste tipo eram livremente vendidos por cambistas.

Representantes da entidade apontam que muitos convidados deixaram para fazer o credenciamento na última hora, o que contribuiu para que houvesse maior aglomeração. Os torcedores precisavam de duas cópias do exame para acesso ao estádio. A primeira ficava retida na entrada, e outra era usada para trânsito dentro do equipamento esportivo.

Antes da liberação de público, a Conmebol chegou a pedir que o estádio fosse liberado em 50% da capacidade, para a decisão, o que foi rejeitado pela Secretaria Municipal de Saúde.

A desobediência ao protocolo da decisão da Copa América rendeu uma multa de R$ 54 mil, aplicada pelo município à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), representante da Conmebol, que não tem personalidade jurídica no país. Os parâmetros estipulados para o jogo foram semelhantes aos da final da Taça Libertadores da América em 30 de janeiro, também decidida no Maracanã, quando o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0.

Na ocasião, a entidade também descumpriu os termos do protocolo estipulado e foi multada em R$ 14 mil pela Vigilância Sanitária do Município.

No dia seguinte à decisão, a Conmebol anunciou a liberação do retorno de torcida aos jogos das competições de clubes promovidas pela entidade: a Taça Libertadores da América e a Copa Sul-Americana, a partir das oitavas de final. No entanto, para valer, a medida depende do aval das autoridades sanitárias de cada localidade.

Assim, há uma expectativa pela liberação para que dois jogos da semana que vem, pela Libertadores, possam receber público no estádio. Na próxima terça-feira (20), o Fluminense recebe o paraguaio Cerro Porteño, no jogo da volta. O de ida foi vencido pelo time carioca por 2 a 0. No dia seguinte, o Flamengo recebe os argentinos do Defensa y Justicia. 

A primeira partida do confronto acontece nesta quarta-feira (14), na casa do rival. O município ainda não se posicionou sobre o assunto.

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