Taxa de transmissão do coronavírus no Brasil é o triplo da registrada na Espanha

Em pouco mais de um mês, a taxa de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil subiu de 0,91 — índice registrado em 18 de maio — para 1,13, segundo levantamento semanal do Imperial College de Londres, atualizado nesta terça-feira (22). É a maior desde março, quando chegou a 1,23, a mais alta deste ano.

O Brasil tem o maior Rt da América do Sul no momento, seguido por Bolívia (1,10) e Venezuela (1,07). A taxa de 1,13 é quase o triplo da menor registrada no mundo neste relatório do Imperial College, que foi de 0,38, na Espanha.

As maiores taxas de transmissão do novo coronavírus da semana estimadas pela universidade britânica foram no Afeganistão (1,51), em Mianmar (1,46) e na Mongólia (1,43). Já os menores índices foram identificados na Espanha (0,38), na Hungria (0,42) e no Azerbaijão (0,47).

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Quando a taxa de contágio está acima de 1, indica que a Covid-19 avança sem controle no país. O Rt brasileiro estava em 1,07 no relatório divulgado na semana passada e em 0,99 no anterior. O índice de 1,13 significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o novo coronavírus para outras 113. Dentro da margem de erro calculada pelo Imperial College, a taxa de transmissão no país pode variar de 1,0 a 1,16.

O Imperial College também projeta que o Brasil deve registrar 16.300 óbitos pela doença nesta semana, um aumento de 14% em relação à anterior, quando foram contabilizadas 14.264 mortes provocadas pelo coronavírus.

O Rt é uma das principais referências para acompanhar a evolução epidêmica do Sars-CoV-2 no país. Especialistas costumam ponderar que é preciso acompanhar a taxa por um período prolongado para avaliar cenários e tendências, levando em conta o atraso nas notificações e o tempo de incubação do coronavírus, que é de até 14 dias.

Por ser uma média nacional, a taxa não indica que a doença avance ou recue na mesma velocidade em todas as regiões do Brasil. Além disso, o Imperial College explica que a precisão das suas projeções semanais varia de acordo com a qualidade da vigilância e dos relatórios de cada país.

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