Tática definida, boa relação e maus resultados: os trabalhos recentes do novo técnico do Botafogo

Enderson Moreira foi anunciado como novo técnico do Botafogo após a derrota por 2 a 0 para o Goiás, a primeira do clube em casa nesta Série B. Bicampeão da competição, o treinador tem a seu favor os dois títulos conquistados (Goiás em 2012 e América-MG em 2017, com o Internacional como principal concorrente), mas o retrospecto recente não é favorável.

ge conversou com pessoas que acompanharam os quatro trabalhos mais recentes do treinador que conquistou 29 vitórias nos últimos 74 jogos, mas foi demitido invicto na temporada pelo Fortaleza.

A missão para tirar o Botafogo da 14ª colocação na Série B não será simples. O técnico precisará fazer um trabalho de recuperação que começa já na próxima partida, contra o Confiança, fora de casa. Os relatos dos jornalistas consultados apontam que provavelmente Enderson vai adotar a mesma formação atual do Botafogo, com dois pontas e um centroavante.

Enderson Moreira foi apresentado junto do CEO, do presidente e do diretor de futebol — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Fortaleza e Ceará – por Tom Alexandrino, comentarista da Globo no Ceará

“Existe uma exigência básica no futebol brasileiro de querer um treinador de características ofensivas, mas nem sempre disponibilizam um elenco ou entregam o tempo necessário para colocar em prática. O Enderson Moreira é um treinador de “DNA” ofensivo, que valoriza demais o apoio dos alas com os pontas de velocidade. Foram três passagens no futebol cearense, duas pelo Ceará e uma pelo Fortaleza.

Nas duas pelo alvinegro cearense ele entregou desempenho, mas teve dificuldade de alcançar resultados na primeira passagem, o que naturalmente gerou a demissão na Série A de 2019. No Fortaleza ele precisava salvar do rebaixamento, conseguiu, mas teve uma queda de produção e na continuidade para 2021, apesar da invencibilidade, a performance em campo não agradou.

Ficou perceptível que havia uma pressão interna, em que entregou resultado, mas não era um time que agradava com a bola no pé. É um treinador que consegue ter gestão de domínio de grupo e boa relação com a imprensa na rotina.

Depende do que o Botafogo pode entregar a ele. Se conseguir passar tranquilidade de trabalho ele vai entregar resultados e desempenho, mas, sob pressão, Enderson tem mais dificuldade em lidar com o próprio trabalho e convicções”.

Enderson Moreira deixou o Fortaleza após eliminação na Copa do Nordeste — Foto: Kid Jr/SVM

Goiás – por Fernando Vasconcelos, que cobre o clube para o ge

“Campeão da Série B em 2012 e sexto colocado na Série A do ano seguinte, Enderson Moreira teve mais duas passagens pelo Goiás, mas não conseguiu repetir o mesmo sucesso. Em 2017, o treinador foi campeão goiano, mas acabou demitido no início da Série B por causa da má campanha do Esmeraldino.

No ano passado, a trajetória dele pelo clube goiano foi ainda pior. Contratado durante o Brasileirão, Enderson não somou nem uma vitória à frente da equipe em 10 jogos. Foram três empates e sete derrotas – aproveitamento de 10%.

Logo na partida seguinte, com os interinos Augusto César e Glauber Ramos (dupla caseira de técnicos), o Goiás conseguiu quebrar o jejum de vitórias e, até o fim da Série A, chegou a depender apenas de si para escapar do rebaixamento, que não foi evitado.

A principal crítica ao trabalho de Enderson Moreira foi a falta de variação tática. Sem abrir mão do esquema 4-2-3-1, o treinador não conseguiu extrair o melhor do elenco – o Goiás reagiu atuando com três zagueiros na sequência da competição”.

Enderson Moreira vai reencontrar Rafael Moura no Botafogo; ele deixou o Goiás após 10 jogos e nenhuma vitória — Foto: Rosiron Rodrigues / Goiás E.C.

Cruzeiro – por Guilherme Macedo, repórter que cobre o clube para o ge

“Enderson Moreira chegou sob muitas expectativas ao Cruzeiro, principalmente por ter conquistado o título com o América em 2018. Chegou durante a pausa do futebol por conta da pandemia, pediu algumas contratações, foi atendido e teve tempo para treinar o time. O início foi bom.

Apesar de não conseguir vaga na semifinal do Mineiro, teve atuações seguras e fez sua parte, com duas vitórias em dois jogos. Começou bem também a Série B, com três vitórias empilhadas logo de cara. Mas o time, diante de adversários a nível nacional, nunca correspondeu. Mesmo quando venceu, não convenceu.

Pesou muito contra ele o início com pontuação negativa, por conta de punição na Fifa. Mesmo com três vitórias seguidas, nunca conseguiu brigar na parte de cima da tabela. A pressão aumentou, teve cobrança pública de um mecenas do clube pela demissão, que aconteceu depois de 12 jogos, sendo os seis últimos sem vencer.

A relação com o elenco era bem conduzida pelo treinador. Única situação que gerou mal-estar foi o afastamento de Giovanni Palmieri, atleta pedido pelo próprio Enderson Moreira. À época, o técnico disse que foi uma decisão da diretoria, situação desmentida por Deivid (já após a saída de Enderson), então diretor de futebol”.

Enderson Moreira ficou apenas 12 jogos no Cruzeiro — Foto: Bruno Haddad

Com Enderson Moreira, o Botafogo volta a campo no próximo sábado, quando enfrenta o Confiança fora de casa, às 16h30 (de Brasília) pela 14ª rodada da Série B. O Bota ocupa a 14ª colocação, com 13 pontos, enquanto a equipe sergipana está na 18ª colocação, com 10.

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