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Suspeito de ligação com ‘faraó’ das criptomoedas, alvo de operação movimentou mais de R$ 14,7 milhões em um ano

Mais de R$ 14,7 milhões foi o montante movimentado apenas no ano passado por João Marcus Pinheiro Dumas Viana, um dos alvos da segunda fase da Operação Kryptos, realizada nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF) e a Receita Federal. Ele é apontado pelos dois órgaõs como suspeito de ser operador financeiro do esquema que teria Glaidson Acácio dos Santos, que foi preso na primeira fase da ação. As contas bancárias de João Marcus e da mulher dele seriam usadas para receber e movimentar recursos do ex-garçom.

Contra João Marcus, foi expedido um mandado de prisão nesta etapa das investigações, assim como para Michael de Souza Magno, o “corretor das celebridades”, também suspeito de ser operador financeiro.

Segundo a investigação da PF, foram identificadas operações suspeitas de João Marcus em contas bancárias da GAS Consultoria. No ano passado, de acordo com levantamento durante as investigações, ele movimentou R$ 14.712.443,51. Esse valor destoou dos rendimentos declarados à Receita Federal referentes a 2020.

Apenas de abril a outubro de 2020, João Marcus movimentou mais de R$ 7 milhões em uma de suas contas bancárias. No entanto, o valor declarado de renda mensal — de cerca de R$ 8 mil, proveniente da atuação como técnico em eletricidade, eletrônica, telecomunicações — não condiz com os ganhos informados.

De acordo com relatório da PF, ao qual O GLOBO teve acesso, no período de novembro de 2019 a junho de 2020, João Marcus movimentou mais de R$ 6 milhões numa conta aberta em Belo Horizonte, em Minas Gerais. Desta quantia, foram identificados R$ 2,4 milhões de créditos feitos por Glaidson.

Naquele espaço de um ano, João Marcus declarou como atividades trabalho de atendimento a público, caixa, despachante, recenseador e afins, com rendimento mensal de R$ 3.500 (em 2019) e patrimônio de R$ 25 mil.

De acordo com as investigações, João Marcus está à frente de uma empresa registrada como da área de tecnologia da informação, mesmo segmento em que sua esposa também é titular de uma segunda. Essa com registro no endereço de outras utilizadas no sistema. As contas do casal são suspeitas de serem usadas para receber e movimentar recursos de Glaidson.

João Marcus ainda é suspeito de ter feito depósitos, desde 2019, em conta cujo titular é o ex-garçom.

Em 2021, apenas de março a abril, João Marcus movimentou R$ 1.199.951 em uma conta aberta na capital paulista, valor incompatível com R$ 6 mil declarados de renda mensal ao banco na ocasião.

Nesta manhã, policiais estiveram na casa de João Marcus, num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, mas ele não foi encontrado. O endereço é o mesmo onde Glaidson morava e foi preso no último dia 25. Até o início da tarde desta quinta-feira, ninguém foi detido.

Operação Kryptos

Glaidson foi preso em casa, em num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, em 25 de agosto. À ocasião, agentes apreenderam na mansão mais de R$ 15 milhões em dinheiro vivo. Além de 591 bitcoins, o que equivale a mais de R$ 150 milhões de reais.

De acordo com os investigadores, Glaidson movimentou mais de R$ 38 bilhões em seis anos em um esquema de pirâmide disfarçado de investimentos em criptomoedas, como bitcoins. Para atrair clientes, a GAS prometia retorno mensal de 10% sobre o valor investido.

As investigações da Polícia Federal apontam a suspeita de crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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