‘Surpreendente’, diz Trump sobre ex-aliado preso

Ao comentar a prisão de Steve Bannon, seu ex-estrategista, o presidente Donald Trump classificou as acusações de fraude como “surpreendentes” e “muito tristes” para o aliado. O líder americano disse ainda que não gostava do projeto envolvido no imbróglio judicial, o “Nós Construímos o Muro”, uma iniciativa que buscava arrecadar fundos para o seu prometido muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México. 

— Eu acho que é uma coisa muito triste para o Bannon. Acho que é surpreendente — disse Trump,  afirmando que não lida com seu ex-estrategista “há anos, literalmente anos”. — Eu não sei nada sobre o projeto além de que eu não gostava. Quando eu li, não gostei. Eu disse: “Isso é para o governo, não é para as pessoas físicas”. Soou como exibicionismo.

Em um comunicado, a Casa Branca disse que o presidente não tinha envolvimento com o projeto e afirmou que, até o momento, o governo já construiu mais de 482 quilômetros do infame muro “graças ao trabalho do corpo de engenheiros do Exército”. A expectativa é que, até dezembro, haja quase 804 km construídos.

Bannon foi estrategista-chefe da campanha de Trump em 2016 e é tido como um dos principais responsáveis por levar o presidente à Casa Branca. Ele permaneceu no governo até 2017, quando foi demitido após se desentender com o presidente. Antes de se juntar à campanha, ele foi chefe do site conservador Breitbart.Presidente Donald Trump e Steve Bannon, durante cerimônia de posse do alto escalão da Casa Branca em 2017 Foto: CARLOS BARRIA / Reuters / 22-1-2017

As detenções de Bannon e de mais três envolvidos na arrecadação de fundos para o muro ocorrem a 74 dias das eleições, quando Trump busca recuperar a vantagem aberta pelo democrata Joe Biden, que está em média 7,6 pontos percentuais na sua frente, segundo o site Real Clear Politics.

Em um outro golpe para o presidente, no entanto, a Justiça Nova York rejeitou nesta quinta sua tentativa mais recente de impedir que a Procuradoria de Manhattan tenha acesso às suas movimentações financeiras sob o argumento de que o pedido foi feito de “má-fé”.

No mês passado, a Suprema Corte já havia rejeitado o argumento inicial do presidente de que seu cargo lhe concederia imunidade a investigações criminais. A decisão, no entanto, permitiu que ele apresentasse novas objeções a instâncias inferiores.

Aliados em apuros

Tal qual Bannon, outros aliados e ex-aliados do presidente estão em apuros legais. Estrategista republicano e amigo pessoal de Trump, Roger Stone foi condenado por crimes que incluem mentir para o Congresso e obstrução de testemunha nas investigações lideradas pelo promotor especial Robert Mueller sobre uma possível interferência russa nas eleições de 2016.

Stone foi condenado a 40 meses de prisão e, dias antes da data que em deveria se entregar à Justiça, em julho, teve sua pena comutada por Trump.

Michael Cohen, ex-advogado do presidente, é acusado de fraude, de mentir para o Congresso e de violar leis de financiamento de campanha ao pagar duas mulheres para que não revelassem seus supostos casos com Trump durante a campanha de 2016. Cohen virou desafeto do presidente e está prestes a lançar um livro sobre Trump.

Ex-gerente da campanha presidencial de 2016, Paul Manafort está detido desde junho de 2018, agora em prisão domiciliar em razão da pandemia da Covid-19. Ele foi condenado a sete anos e meio de prisão por crimes bancários e fiscais, e admitiu ser culpado de conspiração, obstrução de Justiça e lobby ilegal relacionado ao seu trabalho com políticos ucranianos, entre outros.

Ex-subchefe da campanha, Rick Gates foi sentenciado a 45 dias de prisão e três anos de liberdade provisória por admitir que ajudou Manafort a esconder US$ 75 milhões em contas no exterior.

O ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, por sua vez, admitiu ser culpado de mentir para o FBI sobre suas conversas com o então embaixador russo sobre iniciativas que poderiam enfraquecer o governo de Barack Obama antes de Trump tomar posse. Tanto o presidente quanto Flynn dizem que a investigação é injusta, e um perdão presidencial não foi descartado.

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