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Suposto lobista não comparece e CPI da Covid ouve depoimento de ex-secretário do DF

Após a ausência do suposto lobista na sessão desta quinta-feira à CPI da Covid, membros da comissão no Senado decidiram ouvir o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco Araújo Filho. O depoimento foi confirmado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) no final da manhã de hoje, após a ausência do lobista Marconny Nunes Ribeiro Albernaz. Francisco foi alvo da Operação Falso Negativo, em agosto de 2020, que constatou irregularidades em compras para o enfrentamento à pandemia no Distrito Federal.

No início dos trabalhos, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), mandou a Polícia Legislativa do Senado ir atrás do lobista e também pediu sua condução coercitiva.

A CPI realiza uma sessão fechada que, segundo Vieira, analisa o material em segredo de Justiça.

— Não podem ser amplamente divulgados, mas precisam ser de conhecimento da CPI — disse o senador.

Com a mudança, o foco da CPI deverá ser a Precisa, empresa envolvida no escândalo e que depois ganhou notoriedade por ter representado no Brasil a Covaxin, vacina desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

A Covaxin foi a vacina mais cara a ser contrato fechado pelo Ministério da Saúde, ao custo de 15 dólares a dose. Depois que o negócio entrou na mira da CPI, ele foi suspenso pelo governo federal e o laboratório indiano rompeu a parceria que tinha com a Precisa

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-secretário a ficar em silêncio no depoimento que prestará à comissão.

Retenção de passaporte

Na retorno da sessão, a CPI aprovou um requerimento com alguns pedidos para a ministra Cármen Lúcia. Além de solicitar novamente a condução coercitiva de Marconny, a comissão também pediu: a retenção do passaporte por 30 dias pela Polícia Federal; a proibição de sair da cidade onde mora sem prévia autorização da CPI; a indicação de telefone e endereço eletrônico de Marconny para ser contatado pela CPI; e o envio de ofício ao Ministério Público Federal para tomar conhecimento e adotar as medidas necessárias. O documento já foi enviado ao STF para que a ministra Cármen Lúcia possa tomar uma decisão.

Ausência de lobista

Marconny Nunes Ribeiro de Albernaz de Faria, apontado como suposto lobista da Precisa Medicamentos, não compareceu a sua oitiva à CPI. Omar Aziz mandou a Polícia Legislativa do Senado ir atrás do lobista Ma Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, para que ele prestasse depoimento. Em paralelo, pediu à ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), sua condução coercitiva. Ele havia enviado um atestado de que estaria internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

— Neste momento, a Polícia do Senado está no encalço dele — anunciou Omar no começo da sessão.

Ainda pela manhã, Aziz criticou o médico que deu o atestado.

— Se o médico percebeu que paciente estava fingindo, não podia dar uma atestado de 20 dias. E mesmo assim deu. [Ele disse à CPI que] Ia consultar um advogado como não se comprometeria eticamente. O senhor já está comprometido eticamente — afirmou Omar.

Durante a sessão, os senadores exibiram uma entrevista de Marcos Tolentino, concedida após a internação:

— Nesse sentido, eu vou pedir para que a gente traga ele coercitivamente mesmo que seja numa maca, porque, como ele já tem o “Lorota Bank”, essa é mais uma lorota dele — disse Omar.

Contato com hospital

Pela manhã, Aziz disse também que entrou em contato com o Hospital Sírio-Libanês para saber sobre a questão de saúde de outro convocado, Marcos Tolentino, acusado de ser sócio oculto da FIB Bank, fiadora da Precisa na fracassada compra da Covaxin.

— O senhor Tolentino está na mesma situação, entrou com formigamento ( no hospital), mas dez horas da noite estava sorrindo dando entrevista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo — disse o presidente da comissão.

Na tarde quarta-feira, o receber a informação de que Marconny estaria internado, Aziz ligou para o hospital para saber como estava Marconny. A Secretaria da CPI mantém a previsão do depoimento para hoje. Caso o suposto lobista não compareça, a comissão pensa em trazer em seu lugar Andreia Lima, diretora da empresa VTCLog, ou antecipar o depoimento de Francisco Araújo Filho.

Conversas com advogada do presidente

A comissão teve acesso a uma troca de mensagem entre Marconny e o ex-secretário da Anvisa José Ricardo Santana. Na conversa, Santana menciona que conheceu o suposto lobista da Precisa na casa da advogada do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), Karina Kufa. A advogada foi convocada para prestar depoimento à CPI, mas ainda não há uma data marcada para isso.

Os senadores acreditam que Santana e Marconny teriam conversado sobre processo de contratação de 12 milhões de testes de covid-19 entre o Ministério da Saúde e a Precisa. Uma das mensagens trocadas aponta que “um senador” poderia ajudar a “desatar o nó” do processo. CPI da Covid: veja os principais acontecimentos na comissão até agora

Em depoimento ao colegiado, Santana disse não se lembrar do encontro. O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), citou então um diálogo travado entre eles.

“Marconny, foi um prazer te conhecer hoje na casa da Karina. Aliás, ela me passou seu telefone. Obrigado pelo bate-papo agradável. Se eu puder te ajudar em algo, conte comigo. Boa noite.” Em seguida, o depoente, que já tinha dito conhecer Karina, alegou que apenas não se lembrava em que ambiente havia conhecido Marconny. Os senadores também perguntaram se Jair Renan, filho de Bolsonaro, estava no jantar, mas ele disse não se lembrar.

Churrasco

Randolfe destacou o “churrasco”, no dia 2 de março, que ocorreu na casa da advogada do presidente Jair Bolsonaro, Karina Kufa, com a presença do filho do presidente, Jair Renan Bolsonaro, onde foram apresentados “elementos de esquema criminosos”. O senador citou a presença de José Ricardo de Santana, ex-secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que representava interesse de José Ferreira Dias, conhecido como Bob , e também de Marconny. .

— A partir daí tem uma sequência de fatos (…) Não teve só operações junto ao Ministério da Saúde frustradas, mas também operações concretizadas — disse Randolfe, destacando a compra de preservativos com três pagamentos antecipados.

Na sequência Rena ironizou a presença do filho de Bolsonaro:

— Muito jovem, já anda nessas companhias.

Renan afirmou que a “setores” da Polícia Federal tinham conhecimento dos esquemas do lobista desde “junho, julho” de 2020, citando também o Ministério Público.

— A Polícia Federal sabe das atuações do seu Marconny. Isso foi ocultado, e eles continuaram a fazer o que permanentemente faziam. Por isso deu no que deu, nesse morticínio e neste acúmulo de crise política fabricada diariamente, apimentada diariamente pelo presidente da República — disse Renan.

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