22 de julho de 2024

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Superalegorias: uma aposta de risco na Sapucaí

O tão comentado gigantismo dos carros alegóricos não foi bem-sucedido no carnaval de 2023. “Transatlânticos” como os abre-alas de Salgueiro e Beija-Flor renderam problemas às escolas: a azul e branca de Nilópolis teve dois princípios de incêndio no mesmo carro, que ficou ameaçado de não desfilar.

A Portela também sofreu com uma colisão que comprometeu seu desfile; na Paraíso do Tuiuti, um carro atropelou um hidrante e alagou parte da pista. A campeã Imperatriz não levou alegorias imensas.

Por sorte (e certamente devido a esforços das escolas e das autoridades), não houve vítimas. Mas em 2017 dois graves acidentes, com Tuiuti e Unidos da Tijuca, resultaram em feridos e em uma morte, a da jornalista Elizabeth Ferreira Jofre, atingida por um carro da escola de São Cristóvão. Em 2022, a menina Raquel Antunes da Silva foi imprensada por uma alegoria da Em Cima da Hora, escola da Série Ouro, já do lado de fora do Sambódromo, e morreu dias depois.

Além de uma conferência dos bombeiros,que acompanham o desfile de perto, às vezes dentro dos próprios carros as alegorias precisam de um engenheiro, que assina um documento se responsabilizando pela segurança do veículo.

— Cada escola contrata o seu engenheiro, ele vistoria os carros e assina o documento — diz Wagner Araújo, ex-presidente da Imperatriz Leopoldinense e envolvido com carnaval há mais de 30 anos, mas hoje sem vínculo com a festa. — O problema é que o carro é finalizado só na concentração, então, ele, na Avenida, não é exatamente o mesmo que foi vistoriado no barracão. Cada escola deixa cerca de cem pessoas mexendo nos carros antes do desfile, à tarde e no começo da noite. Não é difícil, por exemplo, um funcionário deslocar uma escultura, feita de material inflamável, e colocá-la mais perto de uma lâmpada ou fiação, aumentando o risco de incêndio.

Os carros devem ser conduzidos por motoristas habilitados, com carteira profissional que lhes permita dirigir caminhões e carretas. Do lado de fora, outro integrante da escola guia o piloto, que também pode contar com câmeras para se localizar. Ainda assim, a visão é limitada.

No desfile do Grupo Especial, uma equipe do GLOBO seguiu pela Rua Frei Caneca dentro da cabine de um carro alegórico. Sem visão e suportando um calor que, segundo o profissional presente, facilmente chega a 50 graus, ele contou que recebeu o convite para desempenhar a função na semana anterior, sem fazer teste. Mas garantiu dirigir esse tipo de veículo há cerca de 20 anos. E disse que tudo acontece devido à sorte.

— A visibilidade é zero — dizia o motorista, que recebe mil reais por noite de trabalho na Sapucaí. — Tem gente do lado de fora gritando e tentando guiar o que estamos fazendo.

O Corpo de Bombeiros informou que os carros alegóricos são vistoriados nos barracões. Foram mobilizados cem bombeiros por dia de desfile, além de equipamentos de combate a incêndio em locais estratégicos na Sapucaí.

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