Substituto de Dr. Jairinho na Câmara foi intimado a depor sobre desabamento de prédios na Muzema

Políticos de campos ideológicos opostos concordaram quanto ao afastamento de Jairinho

Em uma decisão histórica, na noite de ontem, o plenário da Câmara do Rio cassou, pela primeira vez, o mandato de um vereador em exercício. Por unanimidade, Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), o Dr. Jairinho, foi afastado definitivamente das suas funções por quebra de decoro parlamentar. Jairinho está preso desde abril, acusado de torturar e matar o enteado Henry Borel, de 4 anos. O substituto de Dr. Jairinho na Câmara é Marcelo Diniz Anastácio (Solidariedade). Ex-presidente da Associação de Moradores da Muzema, na Zona Oeste da capital fluminense, Marcelo Anastácio contabilizou 6,3 mil votos na última eleição.

Em abril de 2019, quando dois prédios caíram na região, matando 24 pessoas, ele foi intimado a prestar esclarecimentos à Polícia Civil sobre a atuação da associação. Havia suspeita de que a entidade estivesse sendo usada como uma imobiliária clandestina, já que o único documento de posse do imóvel dos moradores do condomínio Figueira do Itanhangá era fornecido pela associação.

Apesar disto, Marcelo Diniz Anastácio não chegou a ser indiciado e sempre negou qualquer envolvimento com a milícia que atua na região. Diniz é ex-sargento da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, tem 34 anos, e se apresenta como empresário.

Anteriormente, Dr. Jairinho já havia sido expulso do próprio partido, o Solidariedade. Ele está inelegível por oito anos. O placar da Câmara registrou 49 votos a 0 pela cassação. Só o vereador Dr. Gilberto (PTC) se absteve.

Antes mesmo de a votação ter início, a derrota acachapante de Jairinho no plenário da Câmara era dada como certa. O vereador Luiz Carlos Ramos Filho (PMN), relator do processo no Conselho de Ética e Decoro da Casa Legislativa, iniciou a sua fala na sessão lendo uma versão compacta do parecer que pedia a cassação. Foram citados, sobretudo, os contatos de Jairinho com um conselheiro da Rede D’Or e com o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), no dia da morte da criança, numa tentativa de utilizar-se de seu cargo para tentar esconder circunstâncias do crime. O inquérito da Polícia Civil também foi citado por Ramos Filho.

O documento mostrou que, após perícia, foi descartada a possibilidade de que Henry tenha morrido em razão de um acidente doméstico, como Jairinho e a mãe da criança, a professora Monique Medeiros — que também está presa — argumentaram inicialmente.

Na sequência, o plenário da Câmara realizou um minuto de silêncio em homenagem a Henry, a pedido do vereador Celso Costa (Republicanos). A homenagem foi aceita pelo presidente da Câmara, Carlo Caiado (DEM), que chorou em mais de um momento da sessão. Tarcísio Motta (PSOL) leu carta do pai de Henry, Leniel Borel, dizendo que a “Justiça estava sendo feita”.

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