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‘Só mesmo um profissional, um sniper’, diz prima sobre tiro que matou adolescente em operação na Penha

Parentes de Thiago Santos da Conceição, de 16 anos, morto nesta sexta-feira, no Morro da Fé, na Penha, Zona Norte, acreditam que disparo que atingiu a cabeça do jovem partiu de um atirador de elite da Polícia Civil. O adolescente foi uma das pessoas que morreram durante a execução da operação “Coalizão do Bem”, deflagrada pela corporação em parceria com a Polícia Militar no início da manhã. 

“Eles não foram nem no local. Eles simplesmente atiraram. Não prestaram socorro. Em momento algum os policiais que estavam lá em baixo subiram. Não se certificaram que era bandido, o que que era. Da onde que foi atirado, realmente foi um sniper. Por que a altura da casa dele, só mesmo um profissional, um sniper, para poder acertar. Não tinha como”, afirma uma prima do jovem, que preferiu não se identificar.

O subsecretário operacional do RJ, Rodrigo Oliveira, afirmou nesta sexta durante coletiva de imprensa concedida após a operação que não havia policiais na comunidade, mas família questiona versão. “Temos a informação de que um adolescente foi baleado em um local onde não havia operação, isso está sendo apurado”, disse o delegado

“Foram 14 viaturas que vieram para o Morro da Fé. Tem fotos circulando entre os moradores com a movimentação deles. Teve operação sim. Por mais que eles neguem, eles estavam lá”, conta a prima do jovem.

Os policiais teriam, inclusive, de acordo com o relato dela e do padrasto, Gilcinei da Silva, se negado a prestar socorro ao menino, que chegou a ser levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas já chegou à unidade de saúde sem vida. 

“Quando o carro desceu, eles entraram na frente e não deixaram descer. E eu, automaticamente quando escutei a freada, fui para a frente e parei em frente ao fuzil. Aí ele gritou: ‘vai ficar na minha mira’. Daí eu revidei: ‘Já mataram um. Querem matar mais um inocente’. Aí foi onde que ele escutou e começou a discutir comigo. Me chamou de vagabunda, me mandou calar a boca e disse que se eu não parasse iria me dar uma banda e me levar para a delegacia”, relembra a prima. 

Segundo Caroline, a família quer que seja feita Justiça no caso de Thiago. “A gente está tentando entender o porque se chegou a esse desfecho. O que causou esse tiro. Por que ele atirou no menino que só apareceu na janela por curiosidade? Estava a mãe, o pai no sofá e ele tinha acabado de acordar”, lamentou.

Na ação conjunta, além do adolescente, outros três homens foram mortos: Douglas Constantino Alves, de 33 anos; Jorge Xavier Quintanilha, de 30 anos; e um não identificado. A operação Coalizão do Bem visava prender criminosos de uma quadrilha que teria ordenado ataques em Manaus.

O grupo seria o responsável por movimentar cerca de R$ 125 milhões em acordos com o Comando Vermelho. A ação também teve desdobramentos no Amazonas, Pará e São Paulo. Ao todo, foram presos 15 presos, sendo 8 só no Rio de Janeiro. Uma tonelada de maconha foi apreendida, além de um fuzil calibre 7.62, munição e granadas.

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