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Sem Nenê, Vasco é pouco intenso e nada criativo e perde por 3×1 pro CSA

A análise da derrota vascaína por 3 a 1 para o CSA na noite de sexta-feira está longe de se restringir ao aspecto tático. Faltou muita coisa. Sem Nenê, como era de se esperar, faltou criatividade. O melhor jogador do elenco fez muita falta, principalmente pela energia que passa aos demais, não à toa o time esteve muito abaixo no aspecto da intensidade. Mas também fez falta a fome de bola que sobrou a Giva Santos no lance do segundo gol, que praticamente matou o Vasco no jogo. O volante lutou até o fim e deu assistência a Delatorre diante de três vascaínos. Enfim, faltou de tudo um pouco, só não faltou apoio.

Perguntado se a reação da torcida após o apito final foi desproporcional devido aos muitos protestos, xingamentos e copos arremessados em direção ao campo (vários deles passaram bem perto do treinador), Diniz tratou de defender os quase 10 mil vascaínos presentes a São Januário.

– O torcedor foi o único jogador que jogou bem hoje. Não tem o que reclamar da torcida absolutamente desde que cheguei aqui. E nem hoje. E o torcedor tem que vaiar mesmo. Quando você chama a torcida para o estádio com boas apresentações, e a gente joga abaixo do jeito que jogou e perde o jogo, o torcedor fez o que tinha de fazer. A gente que é melhorar e ganhar jogos – afirmou o técnico, emendando:

– Não teve nada de exagero do torcedor. Ele mostrou sua frustração, mas apoiou muito o time durante quase todo o jogo. A gente tem que agradecer ao torcedor e pedir desculpa por não ter entregado a vitória que eles precisavam e mereciam. Mas não foi por falta de vontade, a gente não conseguiu fazer um bom jogo.

Fernando Diniz, técnico do Vasco — Foto: André Durão

A verdade é que embora tenha finalizado mais do que os alagoanos (14 a 10) e marcado maior presença no campo adversário durante grande parte do jogo, o Vasco não conseguiu em nenhum momento repetir a intensidade que confundiu rivais desde a chegada de Fernando Diniz.

Algumas atuações individuais também foram bastante prejudiciais. Zeca e Morato, contratados no início do ano para a disputa do Carioca, voltaram a jogar mal. O lateral errou bastante e saiu vaiado, enquanto o outro, seja como atacante ou recuado para a armar o jogo, pouco fez.

Mais finalização, pouca penetração

Novamente animado com a possibilidade de colar no G-4 (a distância cairia para três pontos em caso de vitória), o Vasco começou o jogo buscando o ataque. O zagueiro Ricardo Graça era um dos mais interessados. Ganhava as divididas atrás e subia para participar da construção. Numa dessas idas à frente, deu uma cavada para Cano por cima da marcação. O argentino acreditou na jogada e acabou derrubado por Ernandes dentro da área. Pênalti confirmado, e o artilheiro converteu.

O problema é que o Vasco ficou em vantagem por apenas cinco minutos. E cedeu o empate por erros individuais. Primeiro de Cano, que, apesar do espírito de luta, fez falta desnecessária em Renato Cajá. Depois de Lucão, que armou mal a barreira e estava muito adiantado na cobrança do próprio Cajá.

A partir dali, o time não conseguiu o que vinha fazendo melhor em suas partidas dentro de casa. Trocar passes curtos rumo à área adversária. Se em outros jogos, o Vasco conseguia penetrar com vários jogadores pelos lados, contra o CSA o time teve menos chegada. Bruno Gomes e Andrey até se ofereciam para a construção, mas não o faziam da melhor maneira.

Novamente deslocado para a função de camisa 10 com a ausência de Nenê, Marquinhos Gabriel caiu de produção. Até participou de algumas jogadas, mas o nível de jogo dele esteve longe do que vinha apresentando como segundo volante, pois qualificava a saída de bola e dava opção na frente para dar o último passe.

O Vasco finalizou mais na primeira etapa (7 a 4), teve a bola no pé, mas pouco machucou o CSA. Não aproveitou o momento em que a torcida fazia bonita festa e empurrava o time.

Balde de água fria, segundo gol do CSA escancara passividade

Ciente de que o Vasco agredia muito pouco até então, Fernando Diniz resolveu ir para frente e colocou o grandalhão Daniel Amorim no lugar de Andrey e trocou pontas: Léo Jabá substituiu Gabriel Pec. Não deu certo. Centroavante, Amorim repetiu um comportamento realizado em outras partidas: saiu demais da área em vez de ficar dentro dela para tentar o jogo aéreo.

Jabá também repetiu o que vem fazendo. Pouco. Não conseguiu boas jogadas pelo fundo, não rompeu linhas com a força física que marcou o início de sua passagem pelo clube. Enfim, não mudou a cara do Vasco.

Se o time não dava pinta que conseguiria a vitória apesar de se lançar ao ataque dada a falta de criatividade, também não aparentava que perderia. Até um lance diferenciar quem estava com mais vontade de vencer, o do segundo gol adversário.

Giva Santos recebeu na risca da linha central e foi carregando. Morato deu combate frouxo, João Pedro não conseguiu derrubá-lo, algo que Marquinhos Gabriel fez com um tranco. Sentado no gramado, Giva mostrou que estava mais ligado que o próprio Marquinhos e que os zagueiros Ricardo Graça e Leandro Castan. Com um biquinho, deixou Dellatorre livre. Zeca não saiu e deu condição para o centroavante marcar.

No fim, já na base do tudo ou nada e enfim com a estreia de Jhon Sánchez, o Vasco viu suas chances de pontuar serem sepultadas quando havia lotado a ponta direita do ataque. João Pedro deu mole, o CSA saiu para mais um contra-ataque, e Riquelme, em atitude desesperada, fez pênalti no ex-vascaíno Clayton. Dellatorre fechou a conta de uma noite muito amarga.

Diniz não fez rodeios para analisar o jogo. Admitiu que faltou bola e intensidade ao Vasco num duelo de vida ou morte.

– Faltou intensidade, jogamos pior tecnicamente e taticamente em relação a outros jogos. Não dá para mensurar qual a falta que o Nenê fez hoje. Mas, mesmo sem o Nenê, tínhamos que ter jogador melhor e ter sido mais intensos, ainda mais saindo com 1 a 0. No segundo tempo, a gente melhorou do segundo para o primeiro tempo, estava mais perto de fazer o gol do que tomar. Tomamos o gol num lance em que o jogador foi caindo, caindo, caindo e conseguiu dar a bola.

Desculpem a redundância, mas faltou de tudo um pouco ao Vasco. Nenê, intensidade, inteligência, criatividade e concentração para brigar por todas as bolas. O CSA foi mais objetivo, brigador e competitivo. Com a derrota, os vascaínos perderam duas posições e agora estão a seis pontos do G-4.

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