Secretária do Ministério da Saúde defende tratamento precoce na CPI

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, disse nesta 3ª feira (25.mai.2021) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que não recebeu ordens nem da cúpula da pasta, nem do presidente Jair Bolsonaro para defender o uso da hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada para tratar a covid-19. Ela também afirmou que “toda doença deve ser tratada precocemente”.

Segundo a secretária, apelidada de “capitã cloroquina” pela mídia, nota técnica que recomendava o uso do medicamento não foi revogada, apenas foi tirada do ar porque novo documento está sendo elaborado pelo ministério. “Nós estabelecemos doses seguras para que os médicos pudessem utilizar esses medicamentos com o consentimento dos seus pacientes”, afirmou.

Pinheiro disse ainda que o Brasil não é obrigado a seguir decisões da Organização Mundial de Saúde (OMS) e que, no caso da covid-19, o país teria cometido erros se tivesse adotado algumas das recomendações do organismo internacional. Pinheiro disse que a própria OMS errou no início da pandemia.

Ela criticou a demora da organização em decretar emergência de saúde pública de importância internacional e a recomendação de não uso de máscaras, decisão que foi revista meses depois. “Provavelmente contaminamos boa parte do mundo por causa dessa decisão”, disse. Pinheiro afirmou ainda que a OMS já tomou decisões errôneas em outras situações em anos anteriores.

No início de sua apresentação, a secretária defendeu o tratamento terapêutico para a covid-19 e disse que a tomada de decisão em um cenário de pandemia “exige respeito à autonomia médica, respeito à soberania dos países e dos seus órgãos de saúde”. “Temos que ter a capacidade de nos livrarmos das afirmações categóricas das verdades externas”, disse. Mayra disse que entregaria à CPI cerca de 2,4 mil artigos que, segundo ela, defendem o chamado tratamento precoce.

POLÊMICA

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), protagonizou um bate-boca com senadores governistas que o criticaram por comparar o trabalho da comissão com o Tribunal de Nuremberg, que julgou oficiais nazistas na Alemanha.

“Não podemos dizer ainda que houve genocídio. Mas podemos dizer que há sim uma semelhança assustadora, uma semelhança terrível, uma semelhança tenebrosa no comportamento de algumas altas autoridades que testemunharam aqui na CPI e o relato que acabei de ler sobre um dos marechais no nazismos no tribunal de Nuremberg”, disse Calheiros.

O líder do governo no Senado, Fernado Bezerra (MDB-PE) classificou a fala como um “paralelo absurdo”.

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