Saúde só efetiva 17% das compras planejadas de remédios do kit intubação

O Ministério da Saúde só conseguiu comprar 17% dos remédios do chamado kit intubação necessários para suprir a demanda para os próximos 6 meses. Com estoque escasso e sem capacidade de reabastecimento, algumas cidades já estão mudando os protocolos de atendimento a pacientes com covid-19.

O governo federal se comprometeu, no início de março, a comprar 186 milhões de doses dos medicamentos, o suficiente para 180 dias. No entanto, só foram obtidas 32,48 milhões de unidades.

Uma nota técnica do ministério, obtida pelo Estadão, mostra que o estoque federal de 9 medicamentos do kit, incluindo analgésicos, sedativos e remédios que controlam o coração e a circulação pulmonar, acabaram.

As reservas de outros 10, como o sedativo Cetamina e o ansiolítico Diazepam, estão quase no fim.

Embora a responsabilidade de aquisição dos kits seja de Estados, municípios e hospitais, o documento diz que o governo federal tem o papel de facilitar as compras.

Há mais de 1 mês, a pasta vem recebendo alertas a respeito do risco de desabastecimento desses medicamentos no país.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nessa 4ª feira (13.abr.2021) que mais lotes deverão chegar em até 10 dias.

“O governo federal, através de iniciativa conjunta com a Organização Pan-Americana de Saúde, vai fazer uma compra direta e já fez essa compra direta e estimamos que, nos próximos 10 dias, nós tenhamos o nosso estoque regulador fortalecido para acabar com essa luta do dia a dia, de dar suporte às secretarias municipais e estaduais de Saúde.”

Mas, na nota técnica da pasta, o texto aponta a “considerável baixa no estoque” e alerta para a dificuldade de compra no mercado interno e externo.

O ministério vinha mantendo a reserva dos medicamentos por meio de pregões de compra de 2020, o que ainda não deu resultado.

Por meio da ata de registro de preços, o governo conseguiu 14,9 milhões de doses, o que representa 82% do previsto.

Outra opção é a aquisição por meio da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), que só conseguirá entrar 14 milhões de 100 milhões de unidades encomendadas.

A nota também mostra que o governo conta com doações. A Vale, por exemplo, doou 2,8 milhões de unidades de 5 medicamentos.

O aumento do consumo dos medicamentos em abril indica que o cálculo feito pelo governo (34,3 milhões de doses por semana, baseado na última semana de março) pode não ser suficiente.

O ministério afirma que já distribuiu mais de 8 milhões de medicamentos para intubação aos Estados e municípios, e que aguardará a chegada de 2,3 milhões de unidades de medicamentos diferentes, prevista para esta 5ª feira (14.abr.2021).

Esse último lote de insumos foi doado pelas empresas Petrobras, Vale, Engie, Itaú, Unibanco, Klabin e Raízen.

CIDADES REDUZEM ATENDIMENTO

A falta de medicamentos para intubação afetou hospitais de ao menos 3 Estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em alguns casos, como no interior paulista, vários hospitais restringiram o atendimento.

A Santa Casa de São Carlos, por exemplo, tem 30 leitos de UTI (unidades de terapia intensiva) para adultos, mas 6 foram desativadas porque não haveria medicamentos suficientes para o tratamento.

A Santa Casa de Pirassununga também suspendeu novos atendimentos em vagas na clínica geral por causa da escassez, e priorizou pacientes de covid que estão na UTI.

Em Votuporanga, a Santa Casa diz que o estoque deve durar de 4 a 5 dias.

O governo de São Paulo afirmou que, durante 6 meses, não recebeu todos os medicamentos pedidos e que faz 40 dias que pede urgência para o reabastecimento de estoques. O Estado mandou 9 ofícios ao Ministério da Saúde, mas não teve resposta até agora.

A gestão de João Doria (PSDB) diz que já negocia com hospitais estaduais e municipais a possibilidade de fazer compras no mercado internacional.

No Rio de janeiro, o Hospital Souza Aguiar enfrenta desabastecimento de vários medicamentos, como midazolam, atracúrio, fentanil e brometo de rocurônio.

O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência para covid-19, já enfrentou desabastecimento de rocurônio e agora há falta de midazolam.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que não há falta desses medicamentos na cidade, mas que já trabalha no limite.

Já em Minas Gerais, das 9 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte que têm alguma estrutura de UTI, ao menos 5 enfrentam escassez de medicamentos.

A Defensoria Pública da União em Minas Gerais entrou na Justiça para que o governo federal compre ou repasse verba para a aquisição do kit intubação.

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