Sambódromo vai virar ‘blocódromo’ em carnavais fora de época no Rio

A Passarela do Samba vai virar ‘‘blocódromo’’ em um carnaval fora de época a partir de julho do ano que vem. A prefeitura decidiu alugar a Marquês de Sapucaí para as produtoras de eventos Dream Factory e V3A promoverem desfiles de blocos no meio do ano, como uma forma de estimular o turismo na cidade.

A notícia foi antecipada pelo colunista Ancelmo Góis. No primeiro ano, em 2023 seriam promovidos dois eventos, com 12 horas de duração e cobrança de ingressos, nos dias 15 e 16 de julho. A intenção é reunir um público de cerca de 40 mil pessoas por dia.

Apesar dos organizadores afirmarem que pretendem convidar blocos de rua tradicionais, como uma forma de ajudá-los a angariar fundos para a tradicional festa de rua de fevereiro, a ideia de desfilar uma segunda vez em julho não seduz a presidente da Sebastiana (Associação dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro), Rita Fernandes:

— A tradição é o carnaval de rua, na rua. E ponto final. Isso é um evento comercial. Além disso, respeitamos tradições. Julho é período para festas juninas, não de carnaval — disse Rita.

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A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) também descartou participar do segundo desfile:

— Blocos e escolas de samba não se misturam, são coisas distintas. O que a gente sempre pensou era fazer desfiles no meio do ano, só com as escolas, mais compactos, para atrair o turista. No entanto, não houve aprovação da prefeitura Mas a gente torce para que o evento dê certo. Vai ser muito bom para a cidade — justificou o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro.

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Segundo Duda Magalhães, da Dream Factory, a ideia de organizar um evento com blocos na Sapucaí no meio do ano é antiga:

— O plano surgiu em 2017, mas havia o obstáculo de o Sambódromo estar sem certificado dos Bombeiros. Depois veio a pandemia da Covid — disse Duda.

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Cristiano Botinha, da V3A, garante que o evento terá blocos tradicionais, mas ainda não adianta a programação. A ideia, explicou, é promover quatro desfiles por dia. Ao adquirir o ingresso, o público acompanharia os desfiles das arquibancadas ou das frisas.

— Na compra do acesso, o interessado também vai escolher um dos blocos para desfilar junto pela Sapucaí. Isso tudo com segurança e controle de acesso à pista — acrescentou.

O preço das entradas ainda será definido. Haverá ingressos mais baratos para o setor 1 e as arquibancadas da Praça da Apoteose. O projeto prevê valores mais caros para as frisas do setor ímpar, que vai funcionar no esquema de ‘‘open bar’’ (bebidas liberadas). Caso a experiência dê certo, a intenção é promover pelo menos quatro desfiles por ano, a partir de 2024.

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