Sá Pinto diz que Vasco merecia vencer e busca opções ofensivas

Em entrevista coletiva depois do empate por 1 a 1 com o Fluminense – gols de Wellington Silva e Germán Cano, no fim da partida -, o técnico do Vasco, Ricardo Sá Pinto, lamentou o gol no início da partida do adversário e disse que sua equipe merecia vencer o clássico nesta noite de domingo, em São Januário. O resultado deixou o Vasco com 25 pontos e ainda na zona de rebaixamento.

O treinador fez avaliação positiva da partida. Viu o time mais “fresco” em campo, com boa reação, mas disse que precisa encontrar soluções ofensivas. Em referência à clara dependência do time aos gols de Germán Cano. Só ele marcou 21 vezes em 2020 – o Vasco soma 41.

Grupo vascaíno faz corrente antes da partida — Foto: André Durão

– Essa semana de trabalho foi muito boa, o time reagiu bem, vimos um Vasco mais fresco, com maior pressão, um Vasco a jogar melhor. Falta a vitória que é o que faz diferença. Não temos vitórias morais. É o caminho, é o trabalho, são também os outros que jogam em posições ofensivas também. Não podemos depender só do Cano. Não é justo. Assim é difícil conseguir vitórias. Acredito que há vontade para isso e há também qualidade. E vamos acreditar no crescimento desses jogadores e eles vão conseguir ajudar o Vasco – disse o treinador.

Na primeira pergunta, o técnico português foi questionado sobre o primeiro tempo ruim do Vasco. O treinador discordou e ponderou sobre a atuação da equipe. Disse que o Fluminense marcou logo no primeiro ataque da partida.

– Sua opinião em relação ao time (primeiro tempo) ruim, não concordo. Na nossa entrada no jogo, tivemos três chegadas. No primeiro cruzamento, fizeram um gol (o Fluminense). Tiveram mais posse num momento, mas acho que a equipe não fez um primeiro tempo ruim – afirmou Sá Pinto.

O treinador foi enfático sobre a necessidade de retomar a confiança do grupo.

– Precisamos ganhar. A vitória que traz confiança. O time hoje fez tudo para ganhar. E, infelizmente, os detalhes não estão do nosso lado. O adversário vai lá uma vez e faz o gol num cruzamento aos 10 minutos. Antes não tinha chegado nenhuma vez. OK, numa bola parada… Mas não foi através de ações. Nós chegamos lá através de nossas ações e não decidimos bem. Vamos continuar a trabalhar em soluções ofensivas para a equipe – disse Sá Pinto.

Cheio de caras e bocas, Sá Pinto lamenta mais uma jogada na partida — Foto: André Durão

Andrey deve voltar ao time

O treinador também foi questionado sobre o não aproveitamento de Andrey, que não joga há três partidas, e Juninho, que chegou a ir para a posição de substituição, mas seguiu no banco. Para o jogo contra o Santos, no próximo domingo, às 16h, em São Januário, o time tem três desfalques: Talles Magno, Leo Gil e Neto Borges.

– Todos fizeram boas coisas comigo. O Andrey, o Juninho, que não teve tanto tempo. Já jogaram, fizeram boas coisas e coisas menos boas. Não posso dar oportunidade a todos no mesmo tempo. Conto muito com Andrey, mas Marcos e Léo Gil têm feito bons jogos e, portanto, felizmente tenho o Andrey. Muito provavelmente será opção no próximo jogo porque perdemos Léo Gil. Juninho está no processo. Quando cheguei, não jogava muito. Temos que também entender que temos um plantel com qualidade parecida. Não posso por todos ao mesmo tempo. Tento fazer o melhor em prol do Vasco, e isso está acima de tudo para mim – disse o treinador.

Sobre a cobrança dos torcedores e a pressão para sair da zona de rebaixamento, Sá Pinto encarou como situação natural em clube grande. Justificou a queda de rendimento depois de enxergar equipe em crescimento no seu início de trabalho em São Januário. Ele também criticou arbitragens em outras partidas – contra o Fluminense, considerou um jogo normal nesse quesito.

– Acho que um treinador está sempre pressionado por resultados, isso é uma realidade, uma constatação e eu tenho vivido isso em minha carreira toda. Aceito responsabilidades, decisões e as pessoas não estarem satisfeitos também. A equipe ia numa linha, se solidificou em termos defensivos, ia numa linha ascendente quando aconteceram 1.001 coisas dentro da própria equipe. Tivemos Covid-19, eu mesmo fui mesmo afastado, tivemos problemas de jogadores importantes. Nessa semana recuperamos toda a gente, infelizmente perdemos Talles, Neto e Léo para o próximo jogo, mais uma contrariedade. Não repetimos os 11 iniciais até por conta disso. Acho que o trabalho poderia ser melhor, com melhores resultados, se alguns fatores fossem mais justos. Ou decisões da arbitragem que nos tiraram pontos e não vejo ninguém contestar. Não digo desse jogo de hoje, pois não houve nada, mas em outros jogos já nos tiraram pontos – ponderou Sá Pinto.

O treinador voltou a falar da partida contra o Defensa y Justicia, da Argentina. Na última semana, a derrota por 1 a 0 eliminou os vascaínos da Copa Sul-Americana. Dias depois, sofreu a goleada para o Grêmio (4 a 0), em Porto Alegre. Na sexta-feira, pequeno grupo de torcedores invadiu o centro de treinamento em Jacarepaguá para cobrar o técnico e os jogadores.

– Com toda a justiça temos que aceitar de forma civilizada as reclamações dos nossos torcedores. Na Sul-Americana, sofremos aquele gol, poderíamos ter feito seis gols, não nos deram dois pênaltis e isso atira a equipe também para baixo. Houve circunstâncias que não nos foram favoráveis. Agora entramos novamente na dinâmica que queremos. Equipe está mais fresca agora física e mentalmente. Temos ainda 14 jogos. Sabemos que o primeiro objetivo é sair da posição que estamos e depois, se possível, ir mais para cima que é o que idealizamos e queremos. Agora claro que sabemos que é caminho difícil e uma luta até o final. O que cabe a mim nessa altura é continuar a trabalhar para chegarmos às vitórias, que é o que queremos. Acho que essa equipe já mereceu mais vitórias no meu tempo do que já conquistamos. Estamos atrás dessa sorte e vamos continuar a procurá-la – afirmou o treinador português.

Opção por Vinicius

No segundo tempo, Sá Pinto preferiu manter Vinicius em campo, mesmo depois do atacante vascaíno relatar cãibras. O técnico perguntou se o jovem atleta poderia permanecer mais um pouco dentro da partida e só o substituiu perto do fim do confronto. Ele explicou o que se passou:

– O Vini não está na sua melhor forma. Estava muito bem quando saiu da equipe, contra o São Paulo. Teve uma lesão no treino, acho que ninguém soube disso. Desde a semana passada está a treinar bem, senti que estava bem para o jogo e que ele defensivamente e ofensivamente poderia acrescentar à equipe. Não o tirei mais cedo porque o árbitro não me deixou fazer mais cedo uma substituição. Se tiro imediatamente o Vini, eu perderia mais um jogador a entrar, que foi o caso do Ribamar. Quando ele me disse que aguentava esperei para poder aproveitar ao máximo as minhas substituições. Para não ficar refém. Ainda faltavam 20 minutos, tinha que aproveitar ao máximo para ter jogadores mais frescos e chegar num resultado minimamente aceitável que era chegar ao empate, pelo menos. Depois, se houvesse tempo acho que poderíamos chegar à vitória – explicou.

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