Sá Pinto admite frustração com derrota do Vasco, mas confia em fuga do Z-4: “Vamos sair dessa situação”

Três dias depois da eliminação na Copa Sul-Americana, o Vasco voltou a perder: 4 a 0 para o Grêmio, neste domingo, em Porto Alegre, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Foi a segunda goleada consecutiva na competição (levou 4 a 1 do Ceará na segunda-feira), o que manteve o time na zona do rebaixamento.

Após a partida, o técnico Ricardo Sá Pinto concedeu entrevista coletiva. Se diante do Defensa y Justicia o treinador português se mostrou irritado e falou por pouco mais de dois minutos, desta vez se portou de forma tranquila, fez uma análise mais profunda da partida, reconheceu erros e a superioridade do adversário e disse confiar no trabalho e no grupo para evitar a queda à Série B.

– Acredito que vamos sair dessa situação, não tenho dúvidas. Acredito que teremos bom resultado contra o Fluminense. Eu acredito muito na nossa equipe e na capacidade dos nossos jogadores. Agora, fiquei triste pois tínhamos a expectativa de conseguir bom resultado aqui. Eu acredito na equipe. No dia em que não acreditar, serei o primeiro a comunicar à direção que não tenho condições de continuar mais – afirmou o português.

Ricardo Sá Pinto em Grêmio x Vasco — Foto: REUTERS/Diego Vara

Com 24 pontos, o Vasco é o 17º colocado. Tem um ponto a menos do que o Sport, o primeiro time fora do Z-4. O problema é o cenário: são duas derrotas consecutivas e uma vitória nos últimos 15 jogos da competição.

– Nesta altura, a prioridade é sair desta zona. É a prioridade. Temos de assumir com seriedade. A prioridade é sair dessa zona. É o objetivo. Depois, vamos ver o que conseguimos. Se conseguimos criar outro objetivo – resumiu o técnico.

O Vasco volta a campo no domingo. Em São Januário, recebe o Fluminense.

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Análise do jogo

– Em relação ao jogo de hoje, penso que no primeiro tempo era importante ter ido para o intervalo com o 0 a 0. A equipe conseguiu chegar e criar, apesar de sabermos que o Grêmio jogou hoje com jogadores descansados. Só atuou com dois na última partida. Você sabe que tivemos desgaste na nossa última partida.

Depois, a qualidade individual do Grêmio fez a diferença. Ferreira, Pepê, Diego Souza… Eles não precisam de muitas oportunidades e espaços para marcar. Enquanto conseguimos segurá-los, criamos algum perigo. O Grêmio tem controle de bola, tem boa ideia de jogo consolidada, é o futebol curto e apoiado. Desgasta o rival. Entra por dentro e por fora.

Deveríamos ter sido competentes defensivamente, mas também na parte da frente. Era necessário ter mais a bola, pois havia o espaço. Não conseguimos fazer mal ao adversário. Essa foi a ideia no intervalo. Coloquei o Ricardo Graça pois o Castan marca bem, mas em termos de transporte da bola o Ricardo vai melhor. A intenção foi essa. Colocamos o Juninho para ajudar nisso. Ele tem controle de bola, sabe quebrar as linhas. Foi a ideia. Mas os dois gols logo no começo do segundo tempo estragaram a estratégia. Permitimos. Temos de aceitar que a qualidade deles é boa, mas temos de saber e rever que precisamos ser mais competentes na forma de gerir as oportunidades cedidas ao adversário. Não foi por volume deles, foi mais desconcentração nossa.

Recuperação do espírito para o clássico

– Como já foi feito anteriormente. Infelizmente, a questão do Covid-19 abalou o nosso time. Se perdeu jogadores e membros da comissão técnica. Tirou a dinâmica do bom jogo e dos resultados. Depois, fizemos um bom jogo, mas fomos eliminados injustamente na Sul-Americana. Isso também afeta a equipe. O time sentiu essa derrota para o Defensa y Justicia pois tínhamos alta expectativa na competição.

Já é difícil jogar aqui, mas as coisas não aconteceram como queríamos. Vamos ter uma semana de treinos, com tempo para treinar e levantar o astral. Precisamos do descanso, analisar bem o jogo, eu não gosto de falar muito aqui. Prefiro analisar e melhorar. Acredito que vamos sair dessa situação, não tenho dúvidas. Acredito que teremos bom resultado contra o Fluminense.

Reação aos gols

– A frustração e a tristeza ao sofrer gols é normal. O treinador sempre quer ganhar. Eu acredito muito na nossa equipe e na capacidade dos nossos jogadores. Agora, fiquei triste, pois tínhamos a expectativa de conseguir bom resultado aqui. A reação foi normal. Eu acredito na equipe. No dia em que não acreditar, serei o primeiro a comunicar à direção que não tenho condições de continuar mais.

Luta contra o Z-4

– Nesta altura, a prioridade é sair desta zona. É a prioridade. Temos de assumir com seriedade. A prioridade é sair dessa zona. É o objetivo. Depois, vamos ver o que conseguimos. Se conseguimos criar outro objetivo.

Três zagueiros e segunda goleada

– Nós temos dois sistemas que trabalhamos, até três. É o 4-2-3-1, o 4-4-2 e o 3-4-3. Não tivemos o tempo que gostaríamos de trabalhar estas três estruturas. Duas delas estão bem assimiladas pela equipe.

Realmente, fomos mais sólidos defensivamente com três. Hoje enfrentamos contingências complicadas. O time rival, o nosso desgaste… Não duramos o tempo que era necessário, não tivemos a posse de bola, não agredimos o adversário. Um gol animaria a equipe, mas não conseguimos.

Eu encaro tudo. Podemos jogar nessas estruturas. Logo tomaremos a melhor decisão para retomar as vitórias. Agora, jogar com três atrás deveria dar consistência defensiva e ofensiva. Como já deu. Temos é de criar mais e saber aproveitar as oportunidades. Se mudarmos, poderemos melhorar na frente, mas aí teremos de ser mais competentes atrás, pois haverá situações de jogadores expostos. Não sendo uma defesa muito rápida, poderemos ter dificuldades nas coberturas. A maior parte das equipes tem qualidade na frente, então sabemos que precisamos melhorar. Não me interessa ter posse de bola e perder o jogo. Eu quero é pontos.

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