Resultado em 2022 depende de se encontrar um caminho de centro, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) avaliou que a reeleição de Jair Bolsonaro depende da capacidade de se encontrar uma via de centro. =

FHC participou do programa Conversa com Bial, da TV Globo, dessa 3ª feira (18.mai.2021), para divulgar seu livro “Um intelectual na política: Memórias”.

O jornalista e apresentador Pedro Bial disse que “intelectual virou palavrão no Brasil de hoje, nos altos escalões do atual governo e entre os que apoiam o atual governo”. Perguntou ao ex-presidente o que a categoria fez para merecer esse tratamento.

Nada”, respondeu FHC. “O que fez o Brasil para merecer o governo que tem? Votou nele. Agora, é um governo que não tem nada a ver com a cultura”, disse.

É curioso, nunca vi o Bolsonaro. Fui senador, ministro, presidente, nunca vi. Não me lembro dele”, afirmou a Bial.

Ele falava mal de mim, uma vez disse que ia me fuzilar […] Eu não ligava pra isso porque ele não existia. Erro meu. Ele existe. Tanto existe que foi presidente, foi eleito, corre o risco de ser reeleito”, declarou o ex-presidente.

“[A reeleição] depende da capacidade que nós tenhamos de oferecer uma alternativa capaz de enfrentá-lo.

Sobre a possibilidade de uma frente de centro na disputa eleitoral de 2022 ou a chance do PSDB lançar um candidato próprio, o ex-presidente disse que “o mais importante é existir uma frente, senão ganha quem está ganhando. Ou ganha o Bolsonaro ou ganha o Lula”.

Ele declarou que não vê como tão importante que o candidato pertença ao PSDB, mas que seja apresentado “um caminho mais aberto, mais democrático”.

FHC voltou a dizer que, caso seja preciso, votará em Lula, “por saber o que significa o Bolsonaro”.

O Lula respeita as instituições. O Lula é uma pessoa curiosa porque, ao mesmo tempo em que ele é líder sindical e olha para os que mais precisam, ele gosta dos que não precisam […]. Então, ele faz uma ponte e, em certas circunstâncias, é melhor ter alguém que faça pontes do que alguém que derrube pontes”, declarou.

BRASIL PIOR

Pedro Bial disse considerar que o país “degringolou” em diversos setores, como saúde e educação. Perguntou o que o ex-presidente pensa sobre isso.

Temos possibilidade de voltar a ter um certo brilho no mundo”, falou FHC. “Nós não nos degringolamos por razões profundas. Na verdade, o que falta hoje? Um pouco de voz, um pouco de direção para se perceber que tem caminho, acreditar. Nos falta um pouco de crença”, afirmou.

Nós temos de estar sempre olhando mais adiante. Talvez o mais adiante seja a ciência e a tecnologia […]. E [o mundo] sempre terá um problema de emprego e de pessoas capacitadas, então, educação também [é importante]”, continuou.

Tenho a impressão que, neste momento, nosso governo está um pouco deslocado. Ele não está batendo na mesma toada que o resto do mundo. Mas é transitório. Eu continuo sendo, talvez até por ingenuidade apesar de eu não ser ingênuo, otimista. Eu acredito ser possível melhorar.

FHC disse ser necessário que os políticos “se acertem um pouco mais”. Segundo ele, “os próprios partidos políticos –e não excluo nenhum, nem o meu próprio– precisam ter mais proximidade com os problemas reais das pessoas”.

Entender esses problemas, de acordo com o tucano, foi a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Talvez o presidente atual olhe mais para os colegas dele”, falou FHC.

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