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Relatório da ONU: tragédia climática pode criar ‘refugiados’ ambientais e dar prejuízos ao agronegócio

Os alertas do relatório lançado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, são um aviso para as capitais do Nordeste. Para as praias do Rio de Janeiro e cidades do Sudeste e Sul. Para a agropecuária no Centro-Oeste e no Norte. E são um grito derradeiro para a Amazônia. Todas as regiões brasileiras sofrerão, em menor ou maior grau, os impactos das previsões do documento, com a mais alarmante dando conta de um aumento da temperatura global de 1,5 graus Celsius já na próxima década.

O Brasil está no centro de uma emergência que já afeta os biomas e sua biodiversidade, a vida no campo e na cidade, a economia, e que pode piorar se nada for feito, principalmente na redução do desmatamento e da emissão de gases do efeito estufa, dizem especialistas.

— Os alertas para o Brasil são em todos os aspectos. Aumento da temperatura, redução de chuvas, aumento do nível do mar, de eventos climáticos extremos e da vulnerabilidade das cidades — diz o físico Paulo Artaxo, professor da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do IPCC.

O relatório não cita nominalmente os países, mas pela primeira vez detalha eventos esperados em cada região do planeta. E o Brasil, que responde por boa parte da América do Sul, aparece no centro das previsões de eventos climáticos extremos. Com um aquecimento do planeta de dois graus Celsius ou acima, por exemplo, a intensidade e a frequência de chuvas devem aumentar no Sudeste e Sul do país. Ao mesmo tempo, são esperadas secas mais intensas e duradouras no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O impacto na agropecuária brasileira é um dos mais alardeados. O prolongamento de secas e a diminuição do regime de chuvas, em contraste com enchentes em outras regiões, afetam diretamente plantações, criações de gado e a economia que gira em torno delas.

O relatório aumenta a pressão internacional sobre o Brasil, mas não garante ações do governo brasileiro.

— Já vivemos momentos bons em redução de desmatamento, mas hoje engatinhamos em compromissos. O governo Bolsonaro virou as costas para o tema — diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, que compara a política ambiental brasileira a e de países como Emirados Árabes e Rússia, que buscam vantagens nas negociações. — A pressão por mais ambição e mais cortes (na emissão de gases do efeito estufa) vai tomar a COP 26 (a Conferência do Clima, em novembro, na Escócia). Mas enquanto a China não descomissionar as usinas de carvão, enquanto Europa e Rússia não descomissionarem seus oleodutos, enquanto o Brasil não parar com o desmatamento da Amazônia, vamos continuar tendo relatórios com cenários cada vez piores.

O Ministério da Agricultura reconheceu que o relatório sinaliza “impactos alarmantes” para a agropecuária. E afirma que trabalha com metas de mitigação da emissão de gases do efeito estufa. Já o Ministério do Meio Ambiente enfatizou que o compromisso brasileiro foi com uma meta percentual de redução de emissões frente ao ano base de 2005. “(A meta) é uma das mais ambiciosas entre os países em desenvolvimento por abarcar a economia como um todo e apresentar metas intermediárias”, resumiu o órgão.

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