Região Metropolitana do RJ teve quase 700 mulheres baleadas desde 2017; 15 estavam grávidas, segundo Fogo Cruzado

Um levantamento da plataforma de dados Fogo Cruzado mostra que quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. O estudo contabilizou tanto vítimas de balas perdidas quanto as de homicídios.

Das 681 mulheres atingidas por disparos nesses quatro anos, 258 morreram. Quinze das baleadas estavam grávidas; oito morreram.

O último caso registrado foi de Kathlen Romeu, de 24 anos, grávida de 14 semanas que morreu na terça-feira (8). Segundo moradores, ela foi vítima de uma bala perdida durante o confronto entre criminosos e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins.

Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes foram atacados a tiros por criminosos na localidade conhecida como Beco da 14, dando início a um confronto.

Segundo a polícia, Kathlen foi encontrada ferida após a troca de tiros. Ela ainda chegou a ser levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.

Agentes fizeram buscas na região e apreenderam um carregador de fuzil, munição de calibre 9mm e drogas.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Kathlen.

Jovem de 19 anos foi baleada no peito e na barriga e está em estado grave — Foto: Reprodução/Facebook

Grávida atingida quando foi comprar salgado

Entre as grávidas atingidas também está Karolayne Nunes de Oliveira, de 19 anos, morta durante um tiroteio na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Ela morreu em janeiro de 2018 e estava grávida de cinco meses.

Segundo amigos, Karolayne tinha saído de casa para comer um salgado.

Em março de 2018, Dandara Damasceno de Souza, de 21 anos, foi atingida por um tiro no rosto na Vila Vintém, na Zona Oeste do Rio. Ela foi levada para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste, mas já chegou ao hospital morta.

A Polícia Militar informou que não havia operações em andamento em Vila Vintém no momento em que Dandara foi atingida.

Maiara Oliveira da Silva, de 20 anos, grávida de cinco meses, foi baleada durante troca de tiros no Complexo da Maré, Zona Norte, em outubro do ano passado. Ela perdeu o bebê.

Claudineia voltava para casa quando se viu em meio ao fogo cruzado entre políciais e traficantes — Foto: Arquivo pessoal

Bebês atingidos

Segundo dados do Fogo Cruzado, dez bebês foram baleados quando ainda estavam na barriga da mãe. Apenas um deles sobreviveu.

Em abril de 2019, uma grávida de oito meses foi baleada na barriga em Costa Barros, na Zona Norte. A bala atingiu a cabeça do bebê que já tinha nome: Arthur.

A mãe relatou que havia um churrasco e uma festa na comunidade. Logo depois que ela saiu de casa, uma bala entrou pela sua coxa. O Batalhão da Polícia Militar da região disse que não havia operação no momento.

Outro bebê chamado Arthur morreu também antes de nascer em julho de 2017, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele era filho de Claudineia dos Santos Melo, que estava grávida de 39 semanas. Ela foi baleada indo ao mercado, quando foi atingida na pelve.

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