Projeto instala torneiras com água potável em parede no Centro do Rio

Com o objetivo de facilitar o acesso à água potável, um grupo instalou torneiras em uma parede no Centro do Rio para pessoas em situação de rua e pedestres. Diariamente, 500 litros d’água são disponibilizados para a população no número 17 da Rua Gonçalves Ledo.

O projeto Água de Beber é fruto da ação de seis amigos que, durante a pandemia do novo coronavírus, se atentaram para aqueles que não têm nem o básico: a água. 

“O projeto surge por uma preocupação anterior e maior em relação à água potável, mas principalmente nesse momento de pandemia por entender que esse problema se agrava com a necessidade não só de beber água, mas também os cuidados com higiene, como tomar banho e lavar as mãos”, afirmou Daniel Toledo, de 39 anos.
Grupo disponibiliza torneiras com água potável em parede no Centro do Rio  — Foto: Reprodução/Projeto Água de Beber

O artista apontou que há falhas na distribuição de água em diversos níveis, indo desde o fornecimento até o saneamento básico.

Apesar de a iniciativa contemplar qualquer pessoa que passe pelo local, o público-alvo é o grupo de pessoas em situação de rua. Para a professora de ioga Laura Chaloub, a dificuldade no acesso à água dessa parcela da população foi um dos pontos que fizeram o projeto ganhar força.

“A gente acredita que o direito à água é um direito universal. Existem pessoas que têm mais acesso e pessoas que têm mais dificuldade nesse acesso, principalmente com o que o Estado oferece hoje. Acho que as pessoas que hoje enfrentam mais dificuldade são as em situação de rua. Só porque a gente está botando uma bica na rua não quer dizer que é só para aquelas pessoas. A gente tem a posição firme em acreditar que a água é um direito de todos, mas claro que existem pessoas que sofrem muito mais com isso”, destacou a professora.

Parede no Centro do Rio recebe duas torneiras com água potável para população em situação de rua e pedestres. — Foto: Reprodução/Projeto Água de Beber

A arquiteta Yasmim Pinheiro Assade, de 39 anos, acredita que o projeto saiu do papel por conta da vontade de agir do próprio grupo. Em poucos meses, as torneiras já foram instaladas no local.

“Foi uma iniciativa que surgiu de uma vontade de agir mais do que esperar. Numa situação tão crítica, a gente não tem mais tempo para esperar e a gente precisa articular mesmo, mesmo que seja no campo civil. Essa foi uma resposta de autonomia que a gente buscou perante essa situação”, disse a arquiteta.

A integrante relatou ainda que uma das intenções do Água de Beber é incentivar que outras pessoas façam parte desse movimento de fornecimento d’água para aqueles que mais precisam.

A água que é fornecida é paga pelo grupo. Como a inauguração ocorreu no dia 15, ainda não é possível saber uma média de pessoas que usufruíram das torneiras.

“O projeto está pagando o custo dessa água, mas a gente sabe que é possível tentar a gratuidade da água quando esse uso é público e aberto para qualquer um, mas isso tudo está em processo. Várias cidades no mundo inteiro, principalmente na Europa, possuem fonte de água pública para suas populações, coisa que o Rio de Janeiro em outros momentos já teve, mas que a gente vai vendo uma espécie de cerceamento e dificuldade que vão sendo criadas”, afirmou Daniel Toledo.

Parede na Rua Gonçalves Ledo, no Centro do Rio, ganha torneiras com água potável — Foto: Reprodução/Projeto Água de Beber

Mesmo em pouco tempo de funcionamento, a iniciativa já rendeu frutos para os amigos, que contaram já ter visto de perto pessoas emocionadas com a novidade.

“A gente que estava ali fazendo o acompanhamento via muitas pessoas se emocionarem com o projeto. Eu acho que isso é o que mais mexe com a gente, talvez esse seja o grande incentivo. Esse projeto talvez esteja trazendo um pouquinho de esperança para muitas pessoas. Uma iniciativa que também está tocando iniciativas de solidariedade, de compreensão do comum, do coletivo”, declarou a arquiteta.

Até a publicação dessa reportagem havia apenas um local com as torneiras, mas há uma previsão de novos pontos de acesso de água potável, de acordo com o grupo.

“São meses de trabalho e articulação para isso acontecer. O objetivo é conseguir fazer outros pontos, novos pontos com novos parceiros, seja através de apoios diretos, mas também podendo ter campanhas de contribuição da sociedade civil mesmo, podendo se expandir para outros estados, outras cidades, o país inteiro, porque a gente entende que não é um problema local”, afirmou o integrante do Água de Beber.

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