Professores da rede privada de Niterói e São Gonçalo denunciam falta de apoio do sindicato

Os professores da rede particular de ensino de Niterói e região estão sofrendo e se sentem “abandonados” pelo Sindicato dos Professores de Niterói e São Gonçalo (SINPRO). Segundo a denúncia, esses professores não conseguem entrar em contato com o órgão e se sentem desamparados com a atual ordem que algumas escolas da região. A nova medida imposta pelos colégios é a de que os professores se dirijam até as unidades de ensino para gravar as aulas online para os alunos, deixando o conforto e a segurança do lar dos mesmos durante a pandemia. Segundo os profissionais, a falta de apoio do sindicato vem ocorrendo desde o início da pandemia, em março.

“O sindicato está sempre com os telefones desligados. Para termos alguma orientação, precisamos ligar pro sindicato do Rio. Porém, o Sinpro-Rio não pode fiscalizar o trabalho que vem sendo desenvolvido aqui. Quem receberá nossas denúncias? Algumas escolas por aqui estão solicitando a presença física do professor na unidade para dar aula online, que era o que fazíamos em casa, em segurança. Aí tentamos denunciar a prática dessas escolas e não temos um órgão que acolha essa denúncia e muitas outras de práticas abusivas que estão ocorrendo”, disse um dos professores que denunciou o caso. Professores sentem faltam do apoio sindical

Segundo o denunciante, o sentimento entre os profissionais da área é de abandono. “Se não temos alguém pra brigar por nossos direitos, sem olhar por nós… Fazemos o que o estabelecimento manda. Mesmo recebendo orientação do Sinpro-Rio, que me atende na hora, precisamos de fiscalização aqui. Um sindicato incomunicável só favorece o empresário. A categoria está largada”, afirmou o professor. 

Sobre a questão de retornar às unidades de ensino para gravar as aulas online, os professores sentem medo. 

“Algumas escolas do município de São Gonçalo estão começando a exigir que o professor vá para escola cumprir o seu horário, mesmo sem aluno, fazendo o profissional se deslocar, muitas vezes de ônibus, com filhos ou pais em casa. Nós professores estávamos fazendo o nosso trabalho de casa, mas o medo da rematrícula não acontecer está fazendo com que muitos estabelecimentos particulares adotem essa postura para mostrar aos pais que estamos trabalhando, afirmando: “olha como está seguro! O professor já está aqui”. Caso o professor se recuse, deve ter a responsabilidade de fazer a aula acontecer. É lamentável!”, disse um outro professor entrevistado.

Em nota, o SINPRO de Niterói e Região se posicionou sobre o tema e afirmou que está a disposição dos professores. “Estamos atendendo presencialmente às terças e quintas, no horário da tarde, na Sede do Centro-Niterói, ou através do nosso site. Temos respondidos a todos os pedidos de esclarecimentos, e inclusive, usamos o nosso Departamento Jurídico quando é necessário. Não concordamos com a afirmação que esses profissionais não tem representação”, informou o órgão.

Já sobre a questão do retorno dos professores para as unidades de ensino. O sindicato afirmou que está averiguando as denúncias recebidas e denunciando os casos necessários. “Quanto ao fato de existirem escolas que descumprem a lei, nesse ponto concordamos com a situação relatada e nos solidarizamos com esses companheiros. Nos casos onde a escola é identificada, se faz o registro e encaminhamos a denúncia ao Ministério Público. Estamos num momento muito difícil e desafiador, mas apostamos na organização e união da categoria para enfrentar essas demandas”, concluiu o órgão.

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