Previsão indica possibilidade de neve no Pico das Agulhas Negras para o fim de semana

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que a menor temperatura registrada no Rio de Janeiro ocorreu no bairro de Deodoro na madrugada do dia 19 de julho de 1926, quando os termômetros indicaram 5,6 graus. A massa de ar fria que chegou recentemente ao país pode ter sido apelidada de “onda histórica de frio”, mas para especialistas, ela não é tão incomum assim, nem forte o bastante a ponto de atingir níveis como este feito há quase um século.

Questionado sobre o inverno atual, o meteorologista do INMET Almerino Marinho afirmou não ver muita diferença se comparado ao dos últimos anos. No entanto, explicou que em 2020 houve uma maior entrada de massa de ar fria do que invernos anteriores.

— Essa massa de ar alcançou mais o interior do país, chegando ao Sul e Oeste do Amazonas, provocando o fenômeno de friagem — completou.

Nesta estação, quando o hemisfério Sul tem dias com menos horas de Sol, as massas de ar de origem polar ficam mais fortes e conseguem condições favoráveis para avançar até a região Norte. Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, é assim que surge o fenômeno da friagem.A climatologista Liliam Lois na serra de Itatiaia em julho de 2019

Soares afirmou que a queda de temperaturas originou-se pelo transporte de massa de ar frio de forma mais intensa no mês de agosto devido a, basicamente, dois fatores.

— O primeiro foi a Oscilação Antártica que passou para o que a gente chama em meteorologia de fase negativa, ou seja, há o favorecimento do transporte de ar frio do Pólo Sul. E o segundo foram as águas do Oceano Pacífico Equatorial que estão mais frias, isso faz com que a atmosfera se comporte como se estivéssemos em La Niña, mais um fator que favorece o transporte de ar frio.

Para ele, a atual onda de frio se destaca entre os últimos anos por aparecer “de forma tardia”.

— Não é muito comum que as ondas de frio mais intensas do inverno aconteçam no mês de agosto, geralmente o ápice do frio ocorre entre o final de junho e começo de julho — explicou.

Como mostram os dados do INMET, apenas uma das cincos menores temperaturas na cidade do Rio foi registrada no mês de agosto, quando a estação marcou 6,4 graus em Bangu, na Zona Oeste.

  • 19 de julho de 1926: 5,6 ºC em Deodoro
  • 8 de julho de 1923: 5,8 ºC em Deodoro
  • Junho (sem data) de 1918: 6,2 ºC em Engenho de Dentro
  • 18 de agosto de 1933: 6,4 ºC em Bangu
  • 28 de junho de 1944: 6,7 ºC no Alto da Boa Vista
  • 15 de junho de 1925: 6,8 ºC em Deodoro

De acordo com o INMET, foi registrada na capital fluminense, na tarde desta sexta-feira, dia 21, a segunda menor temperatura de um mês de agosto dos últimos 60 anos. Os termômetros indicaram 9,3 graus por volta das 15h. Apenas os 8,8 graus medidos em 1987 superaram, com base nos dados dos meses de agosto a partir de 1961.

Com relação ao estado do Rio, o frio deve chegar com tudo nos próximos dias, principalmente, no Pico das Agulhas Negras. A previsão da Climatempo indica até mesmo uma pequena possibilidade de neve.

— Essa vai ser a onda de frio mais intensa dessa temporada de inverno, depois disso não devemos mais ter tanto frio — afirmou Soares.

Já para toda a área litorânea fluminense, a Marinha do Brasil emitiu um alerta de ressaca para este fim de semana, dias 22 e 23, com ondas podendo chegar aos três metros de altura. Soares explicou que esse efeito ocorre em decorrência da combinação de ventos gerados pela massa de ar polar com a lua nova, que traz maré alta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TV Prefeito