Prêmio Camões será entregue a Chico Buarque mesmo sem Bolsonaro assinar condecoração

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O Ministério da Cultura de Portugal confirmou que o Prêmio Camões será entregue a Chico Buarque no dia 25 de abril de 2020, em Lisboa.

A entrega está garantida, segundo o ministério, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro não assine o diploma da condecoração.

A data, a mesma da Revolução dos Cravos, foi escolhida pelo cantor. Segundo as autoridades portuguesas, a parte financeira da premiação foi resolvida em junho, e a assinatura do diploma pelo presidente é apenas uma formalidade. Isso não impede a entrega e a cerimônia.

O documento pode chegar às mãos do músico sem a assinatura de Bolsonaro.

Chico Buarque foi anunciado vencedor do Prêmio Camões 2019 no dia 21 de maio, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional, no Rio. O prêmio, de 100 mil euros, é dividido entre Portugal e Brasil.

Em outubro, ao ser questionado por jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada se assinaria o diploma do prêmio, Bolsonaro disse: “Eu tenho prazo? Então 31 de dezembro de 2026, eu assino”.

“A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo prêmio Camões”, escreveu o cantor, que já declarou apoio ao PT e é crítico ao atual governo, em um post no Instagram.

O G1 entrou em contato com a assessoria do Palácio do Planalto. Ela não informou se o presidente assinará o diploma e disse que não vai comentar o prêmio.

Prêmio Camões

Instituído em 1988, o Prêmio Camões de Literatura tem o objetivo de reconhecer um autor de língua portuguesa que tenha “contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural” do idioma através de seu conjunto da obra.

Conhecido principalmente como um dos maiores nomes da MPB, Chico Buarque conseguiu sucesso também como dramaturgo e como escritor. Além de ganhar os prêmios Jabuti de melhor livro do ano por “Leite Derramado” e por “Budapeste”, também foi ganhador como melhor romance com “Estorvo”.

O júri responsável pela escolha é formado por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa.

“Os textos para teatro, as óperas são de uma qualidade sensacional. Assim também são os romances. Portanto é uma obra no seu conjunto que justifica está nossa decisão”, afirma o jurado português Manuel Frias Martins, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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