Prefeitura de Sorocaba (SP) divulga nota enganosa sobre tratamento precoce

A Prefeitura de Sorocaba (SP) divulgou, nessa 4ª feira (14.abr.2021), uma nota enganosa sobre o tratamento precoce contra a covid-19 em seu site oficial e redes sociais.

A gestão afirmou que um “estudo preliminar” conduzido pela Secretaria Municipal da Saúde apontou 99% de eficácia de terapias preventivas contra o coronavírus.  Depois, admitiu que os dados apresentados não foram obtidos de forma científica, e sim em um “monitoramento telefônico”.

Poucas horas depois, a prefeitura apagou publicação no Instagram em que divulgava o suposto “estudo”. No site, a administração municipal alterou o comunicado e passou a caracterizar o monitoramento como um “levantamento”.

A nota afirma que foi aplicado um protocolo com uma combinação dos remédios ivermectina e azitromicina a 123 pacientes da rede municipal de saúde. Depois de 10 dias, somente 1 indivíduo do grupo teria morrido.

“O estudo apresentou uma taxa de letalidade de 0,81% entre os pacientes monitorados. Atualmente, o índice de letalidade é de 2,7% na cidade de Sorocaba, abaixo da taxa estadual, que é de 3,2%. Até o momento, 1.113 pacientes optaram pelo tratamento precoce na cidade”, disse a prefeitura.

O prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) defendeu a iniciativa: “Essa ação faz parte do conjunto de medidas que adotamos contra a covid-19, junto com a ampliação de leitos, a reorganização da rede assistencial, a campanha de vacinação, as barreiras sanitárias, os feriados emergenciais, entre outras”.

Depois da publicação, a subseção de Sorocaba da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) enviou um ofício ao prefeito solicitando as fontes de informação do estudo e a metodologia aplicada no levantamento no prazo máximo de 3 dias.

O Sindicato dos Médicos de Sorocaba também se manifestou, em nota, sobre o “estudo” divulgado pela prefeitura.

“Estudos com maior evidência, principalmente os ensaios randomizados, têm evidenciado o contrário, que [os remédios usados como tratamento precoce] não são eficazes para a covid-19. Tanto isso é verdade que as sociedades médicas de Infectologia e Terapia Intensiva não preconizam esse tipo de tratamento”, disse o sindicato.

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