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Preço da carne de segunda cai até 26% em supermercados do Rio, mas alívio pode durar pouco

Uma consulta feita pela Associação de Supermercados do Rio de Janeiro (Asserj) com 20 redes de varejo do estado identificou um recuo médio de 26% no preço dos cortes da carne de boi de segunda. Os dados referem-se aos primeiros 20 dias de novembro, em relação ao mesmo período do mês anterior. Nos cortes de primeira, no entanto, a queda foi menos acentuada e, em geral, ficou entre 5% e 10%, dependendo da peça, segundo os supermercados.

O objetivo da Asserj era saber se o recuo nos preços no atacado já estavam chegando aos consumidores finais e em que medida. Após o prolongamento do embargo da China à carne brasileira, o preço para os produtores vem experimentando queda, o que gradualmente começa a se refletir nos freezers supermercados.

Sem conseguir vender o produto para seu principal comprador, parte da carne destinada ao mercado externo foi direcionada para o consumo dentro do país. O aumento da oferta de alguns cortes levou à correção observada pelo varejo. Segundo o índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) de outubro, do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), no caso da carne bovina a queda foi de 7,71%.

De acordo com a Asserj, se consegue negociar e comprar mais barato, o supermercado repassa a queda para o consumidor. A associação ressalta ainda que a carne é um produto que tem maior rotatividade por ser fresco. Então, quando a indústria mexe no preço, o co,prador sente o impacto mais rápido do que no caso de um item não perecível, como arroz e macarrão, cujo estoque é maior.

— Com a suspensão das importações pela China, a oferta de carne de segunda aumentou no Brasil. Isso fez com que os preços caíssem, em média, 26%. Em um momento de inflação, essa é uma notícia animadora para o bolso do consumidor — diz Fábio Queiróz, presidente da Asserj.

O alívio no bolso, no entanto, pode ser passageiro. Depois de mais de 70 dias de embargo, nesta terça-feira (dia 23), a China liberou o ingresso da carne bovina com certificados sanitários emitidos até 3 de setembro — um dia antes do anúncio dos casos de vaca louca em Minas Gerais, que motivaram o embargo ao produto brasileiro.

A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, disse que espera a normalização das exportações até dezembro, o que deve impactar na oferta do mercado doméstico brasileiro e pressionar os preços.

Além disso, com aumentos acumulados no último ano, o preço da carne em geral permanece em patamares elevados e pressionando o orçamento famliar. Para o professor de Economia do Ibmec/RJ Tiago Sayão, o alívio não vai durar muito.

— Progressivamente, os preços vão retomar o mesmo patamar. Não acredito que haja um efeito prolongado, especialmente se a China retomar a importação de carne brasileira. Com o dólar muito alto, é mais lucrativo para os produtores e frigoríficos exportarem o produto. Além disso, muitos fizeram investimentos e adaptação para abastecer o mercado internacional. Por isso, estão aguardando com o gado já abatido pela retomada das exportações — explica o professor.

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a arroba do boi gordo que vinha em trajetória de queda voltou a subir após a primeira quinzena de novembro. O valor, que chegou a R$ 256,65 em 13 de novembro, alcançou R$ 315,90 no último dia 22.

Com a expectativa de ajustes nos custos ao produtor e no atacado, especialistas já dizem que até o fim do ano os preços ao consumidor brasileiro devem voltar a subir.

— O frango e porco devem continuar sendo as melhores opções. Apesar de também terem registrado aumentos significativos ao longo do ano, ainda estão com o quilo mais barato do que o da carne bovina — ressalta Marcos Quintarelli, especialista em varejo.

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