Precisa Medicamentos tem histórico de atrasos junto ao Ministério da Saúde

A Precisa Medicamentos, tem histórico de atrasos junto ao Ministério da Saúde e a pasta não puniu devidamente a empresa. A Precisa atrasou entregas de preservativos femininos ao órgão e foi advertida. O Departamento de Prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis recomendou uma multa de ao menos R$1,3 milhão, em meio de 2019, mas depois de 2 anos, a multa não foi aplicada.

A informação é do UOL. De acordo com a reportagem, houve atraso em 9 dos 13 processos administrativos verificados envolvendo os contratos de venda de preservativos femininos pela Precisa ao Ministério da Saúde. Depois dos atrasos, a empresa ganhou novamente licitação para vender o produto.

Eis a linha do tempo, de acordo com a reportagem:

  • novembro de 2018 – Precisa ganha a 1ª licitação para fornecer até 29,3 milhões de unidades de preservativos femininos;
  • abril de 2019 – Ministério da Saúde aplica advertência à empresa por causa de atraso na entrega dos preservativos;
  • maio de 2019 – Departamento de Prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis sugere multa de R$1,3 milhão ao Departamento de Logística da pasta para “evitar eventos semelhantes nas próximas contratações”;
  • outubro de 2019 – diretor do Departamento de Prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Gerson Fernando Mendes Pereira, encaminha novo despacho ao DLOG (Departamento de Logística) pedindo um posicionamento diante do “descumprimento contratual recorrente por parte da empresa”;
  • novembro de 2019 – diretora substituta do DLOG, Adriana Maria Pinhate, encaminha o pedido internamente para que sejam tomadas providências;
  • abril de 2020 – Meri Helem de Abreu, coordenadora-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos do DLOG, pede ao setor de contabilidade o cálculo preciso da multa;
  • maio de 2020 – contabilidade pede relatório para o cálculo da multa. Desde então, não houve movimentos no processo;
  • agosto de 2020 – Precisa ganha nova licitação para venda de até 10 milhões de preservativos femininos ao Ministério da Saúde. A licitação foi homologada por Roberto Dias, diretor do DLOG à época, demitido do Ministério da Saúde no mês passado, depois de ser acusado de pedir propina na negociação de vacinas;
  • novembro de 2020 – Roberto Dias assina contrato para o fornecimento de 5 milhões de unidades do produto. Houve novamente atrasos, de até 28 dias.

A Precisa Medicamentos é a empresa que intermediou a venda da vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde. O servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), suspeitaram de irregularidades no contrato e levaram as suspeitas até o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O contrato para a compra de 20 milhões de doses foi assinado no mês seguinte. A diretora da Precisa, Emanuela Medrades, ficou em silêncio durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, na última 3ª feira. No dia seguinte, disse que Luis Miranda mentiu em seu relato sobre a venda da Covaxin.

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