Por que brasileiros que vieram da China ficaram em quarentena, mas os que voltaram da Itália, não?

Os brasileiros repatriados da China, onde teve início a epidemia do novo coronavírus, tiveram de passar um por período 14 dias em quarentena, mas a mesma medida não foi adotada no caso daqueles que chegam da Itália. O país europeu já registrou mais de dez mortes por Covid-19 – e é de lá que veio o morador de São Paulo que é o primeiro caso da doença no Brasil.

Ao G1, especialistas atribuem a diferença de conduta ao fato de a China ser um epicentro da doença aumentava – o risco de as pessoas vindas de lá espalharem o vírus por diferentes estados do Brasil era bastante alto.

Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e especialista em doenças infecciosas e parasitárias e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) disse que nenhum país do mundo tem adotado quarentena nos casos de repatriados vindos de locais com registros de coronavírus.

O médico defende que os leitos dos hospitais devem ser reservados para casos graves.Resultado de imagem para coronavirus china

“Os brasileiros que vieram da China estavam em um epicentro muito maior do que é a Itália e iriam para vários estados diferentes, o que poderia levar o vírus a se espalhar. O caso do paciente que veio da Itália é diferente. A maioria dos pacientes com sintomas leves, semelhantes aos da gripe, estão se tratando em casa. Os leitos hospitalares devem ser reservados para quem está em estado mais grave” , afirmou o infectologista.

Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora da SBI defende que políticas de contenção já não fazem mais sentido. Ela acredita as formas de diagnosticar e prevenir o vírus é que devem ser fortalecidas.

“Neste momento, estamos praticamente em situação de pandemia. Não tem mais sentido fortalecer ações de contenção. O que deve ser fortalecido é o diagnóstico e a prevenção da doença.”

 
“Há dois pontos: primeiro, os brasileiros que estavam na China estavam em uma quarentena forçada, não eram cidadãos chineses. E houve aí uma questão humanitária que o governo avaliou. Naquela época, Wuhan era o epicentro da doença”, disse a professora da Unifesp.
“O segundo ponto é que tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) quanto o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA) e o Ministério da Saúde recomendam que o paciente que estiver em condições clínicas leves fique em casa, em quarto isolado, usando máscaras, sendo cuidado por uma pessoa, que passe a maior parte do tempo sozinho e em ambiente ventilado.”

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