Políticos pedem independência de Forças Armadas

A saída conjunta dos comandantes do ExércitoMarinha Aeronáutica nesta terça-feira, que se seguiu à demissão do general Fernando Azevedo e Silva do cargo de ministro da Defesa, na segunda, repercute entre a classe política. Diversas vozes, do Novo ao Psol, levantam a preocupação com perigos à democracia e à independência das instituições de Estado, embora a maioria manifeste confiança na solidez dessas instituições.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse que o presidente Jair Bolsonaro está “cada vez mais parecido” com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e seu antecessor, Hugo Chávez. “Logo mais começam a expropriar”, escreveu. “Um autoritário sempre será autoritário.”

Jair Bolsonaro durante revista à tropa, em solenidade do Curso de Formação de Sargentos 2019, em Três Corações, Minas Gerais — Foto: Marcos Corrêa/PR

Bolsonaro está cada vez mais parecido com Chávez e Maduro. Logo mais começam a expropriar. E muita gente, na elite principalmente, acha que é uma opção contra o PT. É muito mais do que isso. Um autoritário sempre será autoritário.— March 30, 2021

O presidente do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, afirmou que as mudanças inquietam o país e que as Forças Armadas devem estar a serviço do Estado e não de interesses particulares. “Precisamos do máximo de responsabilidade de todas as autoridades públicas. A democracia é um valor inegociável”, disse o ex-prefeito de Salvador.

É essencial para a Democracia que as Forças Armadas atuem sempre com independência, e estejam a serviço do Estado brasileiro, jamais a serviço dos interesses de quem quer que seja.

O MDB afirmou, por meio de nota, que lamenta a troca nas Forças Armadas, em meio ao cenário caótico da pandemia de covid-19, e disse que a Constituição “impõe direitos e deveres” ao presidente da República. “Qualquer medida que afronte o constitucional deve ser entendida como desrespeito ao povo brasileiro e isso não pode ser tolerado em um regime democrático’, afirmou o presidente nacional do partido, deputado Baleia Rossi (SP).

Lamentamos as trocas nos comandos das Forças Armadas em meio à pandemia. Exército, Marinha e Aeronáutica têm cumprido à risca suas funções como instituições de Estado, afastando-se de questões político-partidárias implementadas por governos limitados por mandatos.— March 30, 2021

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), reforçou que as Forças Armadas são instituições de Estado e não de governo, e manifestou solidariedade aos comandantes que deixam os cargos. “Eles demonstraram grandeza ao recusar qualquer subserviência a inclinações autoritárias. O País resistirá a qualquer ato que comprometa o Estado Democrático de Direito.”

Minha solidariedade aos ex-comandantes das Forças Armadas e ao ex-Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. Eles demonstraram grandeza ao recusar qualquer subserviência a inclinações autoritárias. O País resistirá a qualquer ato que comprometa o Estado Democrático de Direito.— March 30, 2021

O ex-presidente do Novo João Amoêdo comentou na segunda-feira que Bolsonaro tenta cooptar as Forças Armadas. Nesta terça, ele culpou o Congresso pela situação atual, ao não apreciar pedidos de impeachment do presidente. “A falta de coragem e espírito público de parlamentares e partidos políticos custa milhares vidas e coloca em risco a democracia.”

Com 70 pedidos de impeachment engavetados, o Congresso torna-se o principal culpado pelo caos sanitário, social, institucional e econômico atual.

A falta de coragem e espírito público de parlamentares e partidos políticos custa milhares vidas e coloca em risco a democracia.— March 30, 2021

Em seu perfil oficial, o partido Novo dá eco a Amoêdo e cobra um posicionamento do Congresso. A legenda lembra que a renúncia coletiva dos três comandantes é inédita no país e diz que o momento é grave. “Bolsonaro não esconde sua intenção de influenciar politicamente as Forças Armadas e intimidar as demais instituições de Estado e os Poderes da República.”

Em decisão inédita desde a redemocratização, os chefes das Forças Armadas renunciaram coletivamente.

O ambiente de incertezas se agrava diante da perda de popularidade de um governo inepto e irresponsável, mergulhado em populismo barato e ideologias retrógradas.— March 30, 2021

O vice-presidente nacional do PSL, deputado Junior Bozzella (SP), foi além e disse que está em curso uma tentativa de “golpe” de Bolsonaro. “Pela primeira vez na história os três comandantes das Forças Armadas pedem pra sair de um governo! Sem saída diante do caos que a sua incompetência causou ao país, e ciente dos crimes q cometeu, Bolsonaro apela pra uma última tentativa de se manter, nem que seja a força, no poder: GOLPE!”, afirmou o dirigente.

“Não é de hoje que o Bolsonaro mostra que está disposto a tudo para se manter no poder. A troca do comando da Defesa deixou claro que o presidente reconhece o fracasso do seu governo e que não hesitará em passar por cima de quem quer que seja, inclusive, da Constituição e do povo”, disse Bozzela, que sucede o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, no comando do diretório estadual do partido em São Paulo.

Pela 1ª vez na história os 3 comandantes das Forças Armadas pedem pra sair de um governo! Sem saída diante do caos q a sua incompetência causou ao país, e ciente dos crimes q cometeu, o Bolsonaro apela pra uma última tentativa de se manter, nem que seja a força, no poder: GOLPE!— March 30, 2021

Opinião semelhante foi manifestada por outro ex-aliado de Bolsonaro, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP). Ele chamou a atenção para o projeto defendido pelo líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), que dá poder ao presidente para decretar Mobilização Nacional. Com isso, ele poderia mobilizar militares, inclusive as forças policiais, para ações determinadas pelo governo. “Isso significa poder absoluto ao presidente”, afirmou. “A votação ainda não foi marcada mas, com as assinaturas prontas, ela pode acontecer a qualquer minuto. O golpe está em curso.”

A aprovação do projeto da mobilização nacional permitiria que Bolsonaro assumisse imediatamente o comando de todos os servidores civis e militares, e até convocar quem não é servidor. Isso significa assumir o comando das polícias civis e militares. Não tem outra palavra: GOLPE!— March 30, 2021

Na oposição, o vice-presidente do PDT e ex-governador Ciro Gomes também sublinhou o ineditismo da demissão conjunta e disse que a ação passa a mensagem de que os militares não vão aceitar que limites sejam ultrapassados. “É um primeiro grande sinal de que as Forças Armadas estão se desencantando com as loucuras que Bolsonaro tem praticado no Brasil.”

Nunca houve na história brasileira a ocasião em que os três comandantes das Forças Armadas tenham pedido demissão ao mesmo tempo. Isso é um gesto muito poderoso, muito grave.

Potencialmente, é uma mensagem importante que eles estão mandando para várias direções. Acompanhe:— March 30, 2021

O ex-candidato à Prefeitura de São Paulo e à Presidência da República pelo Psol, Guilherme Boulos foi outro a aproveitar o assunto para defender o impeachment de Bolsonaro. “Comandantes das Forças Armadas renunciaram afirmando que não aceitarão aventuras golpistas. Temos um presidente genocida e golpista.”

Comandantes das Forças Armadas renunciaram afirmando que não aceitarão aventuras golpistas. Temos um presidente genocida e golpista. A Câmara tem que abrir o impeachment imediatamente para salvar vidas e a democracia!— March 30, 2021

O presidente também recebeu manifestações de apoio. O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse que os comandantes das Forças Armadas não deveriam “bancar os isentões” e que eles “jogaram para a galera”. “Dizem não fazer política. Fizeram o quê! A pior política. Contra o Chefe do Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, a quem eles devem respeito.”

O presidente Bolsonaro é o Chefe de Estado e o Comandante Supremo das Forças Armadas. Se os comandantes das forças querem bancar os isentões, o presidente tem todo o direito de promover mudanças. É prerrogativa do seu cargo.

Brasil acima de tudo
Deus acima de todos— March 30, 2021

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