Polícia mira, no Rio, quadrilha que estaria por trás de ataques em Manaus

Complexo do Alemão, onde está situada a Vila Cruzeiro

Agentes da Polícia Civil do Rio, em parceria com policiais civis do Amazonas e São Paulo deflagraram, na manhã desta sexta-feira, uma operação para desarticular uma quadrilha de criminosos que movimentou R$ 126 milhões, em um ano e meio, da maior facção criminosa do estado do Rio e que está por trás da onda de ataque a cidades do Amazonas. Pelo menos 500 agentes estão em diversos pontos da Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio. Pelo menos onze pessoas já foram presas até agora: quatro no Rio, cinco no Amazonas e duas em São Paulo. Um homem foi baleado durante a operação no Complexo da Penha. Cerca de 400 policiais militares ajudam na ação.

A ação também tem como alvo o traficante Wuellington Cardoso dos Santos, mais conhecido como Mano Kaio, um dos principais líderes da facção amazonense, responsável pela ordem para os ataques na cidade de Manaus. Segundo os investigadores, as ordens para os ataques, que duraram três dias no Amazonas e atingiram sete cidades, tiveram participação de lideranças escondidas em comunidades do Rio. Os agentes já foram em dois endereços do procurado, no Recreio dos Bandeirantes, e não o encontraram.

A operação é coordenada pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção, Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) e conta com apoio do Departamento de Polícia Especializada, para cumprimento de 18 mandados de prisão temporária, 35 mandados de busca e apreensão, o bloqueio judicial de até R$ 126.984.934,67 nas contas bancárias das empresas, dos suspeitos e o sequestro de bens de alto valor, todos expedidos pela 1ª Vara Especializada do Crime Organizado (TJ-RJ).

As investigações identificaram ligação entre o grupo criminoso do Rio e seu braço no estado do Amazonas, que usava o sistema bancário e de empresas de fachada para a remessa de valores do Rio para o Amazonas. Para os policiais, o dinheiro seria utilizado para “o fortalecimento da facção no Estado do Amazonas, bem como para a aquisição de armas e drogas para o grupo criminoso do Rio de Janeiro, já que a organização criminosa amazonense controla territorialmente uma das principais rotas de tráfico da América Latina: a Tríplice Fronteira Amazônica, formada pelas cidades de Tabatinga-Brasil, Santa Rosa-Peru e Letícia-Colômbia”.

Durante a apuração, constatou-se que a estrutura de lavagem de dinheiro também presta serviço para a maior facção paulista, a partir de recursos oriundos de São Paulo. Também estão sendo cumpridos mandados de prisão nos estados de Amazonas e São Paulo.

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