Polícia faz operação em Niterói contra suspeitos de furar fila da vacinação contra a Covid-19

A Polícia Civil do Rio faz, nesta segunda-feira, uma operação que visa a cumprir mandados de busca e apreensão contra suspeitos de furar a fila da vacinação contra a Covid-19 em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. As buscas são na casa de dois diretores da Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes e no Hospital estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca, que é administrado pela OS. As equipes procuram documentos e provas sobre a denúncia de “fura-fila” de vacina nas salas da diretoria, da vacinação, de Recursos Humanos e de arquivo da unidade de saúde.

A operação é da Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD). O delegado Thales Nogueira Braga, titular da DDC-LD, que acompanhou a ação de busca e apreensão nesta amanhã no Hospital Azevedo Lima, confirmou que um dos pontos principais da investigação é descobrir se há mais casos de fura-fila na unidade, administrada pela OS Instituto Sócrates Guanaes.

— Há suspeitas que outras pessoas também tenham tomado a vacina, porque há muitas inconsistências nas listas (de vacinação apreendidas) e a investigação busca apurar exatamente isso, se foi caso isolado, porque esses dois jovens eram parentes de um diretor do hospital, ou se é uma coisa recorrente —afirma.

As investigações começaram o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren/RJ) fazer denúncias relatando que dois filhos, de 16 e 20 anos, de um diretor da OS haviam tomado doses de vacina destinadas ao grupo prioritário. Na última semana, foram realizadas diligências no local. Os policiais encontraram diversas rasuras e vulnerabilidades na lista de vacinados, inclusive o nome do filho do diretor de 16 anos como “acadêmico de medicina”.

Por isso, os agentes representaram pela busca e apreensão das listas de vacinados e da listagem de estagiários, acadêmicos, internos e residentes da unidade para confrontar com a lista de vacinados. A Polícia Civil frisa que apreenderá os documentos originais e fornecerá cópias de todo material para que não haja prejuízo ao calendário de vacinação.

— Chegamos através de uma denúncia oriunda do Coren de que pessoas estavam se passando por acadêmicos de medicina para receber a vacina. Nessa ação fiscalizatória, junto com o conselho, nós verificamos diversas inconsistências nessa lista: várias rasuras, várias pessoas com idades incompatíveis com acadêmicos de medicina e resolvemos representar por essa busca e apreensão no estado em que elas se encontram pra evitar qualquer tipo de adulteração ou ocultação — diz Braga.

O delegado, que ainda não revela a identidade do profissional da OS que estaria envolvido no esquema, afirma que há outras investigações em curso em outras unidades de saúde do Rio.

— Nós temos investigações de vários hospitais. A ação de hoje é do Azevedo Lima, que é gerido pelo instituto Sócrates Guanaes. Os dois jovens vacinados são filhos de uma coordenadora do instituto.

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